CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Qual a melhor opção cirúrgica, dentre as abaixo, para iniciar o processo de reabilitação visual em um paciente com "conjuntivalização" em 360º da córnea após queimadura química unilateral?
Queimadura unilateral + conjuntivalização 360º → Transplante de limbo autólogo contralateral.
A restauração da superfície ocular em queimaduras graves requer a reposição de células-tronco limbares; em casos unilaterais, o tecido autólogo é a primeira escolha.
As queimaduras químicas oculares representam emergências oftalmológicas graves que podem levar à destruição total do nicho das células-tronco limbares. Sem essas células, a córnea perde sua capacidade de autorrenovação epitelial, sendo invadida por tecido conjuntival e vasos sanguíneos. A conduta cirúrgica deve ser sequencial: primeiro, estabiliza-se a superfície ocular através da restauração do limbo. O transplante de limbo autólogo contralateral envolve a retirada de fragmentos do limbo do olho sadio para serem suturados ou colados no olho afetado após a ressecção do pannus. Somente após a estabilização dessa nova superfície epitelial (geralmente após 6 meses) é que se pode considerar uma ceratoplastia penetrante, caso ainda haja opacidade estromal profunda. Tentar o transplante de córnea em um olho sem limbo funcional é um erro clássico que resulta em falência precoce do botão doador.
A conjuntivalização ocorre quando as células-tronco do limbo (localizadas na transição esclero-corneana) são destruídas, perdendo a barreira que impede o crescimento do epitélio conjuntival sobre a córnea. Isso resulta em opacificação, neovascularização (pannus) e perda severa da visão, sendo uma marca registrada da deficiência de células-tronco limbares pós-queimaduras químicas graves.
O transplante autólogo (do próprio paciente, usando o olho contralateral saudável) elimina o risco de rejeição imunológica e a necessidade de imunossupressão sistêmica prolongada. Em casos unilaterais, é a técnica de escolha (Limbal Autograft - CLAU), pois oferece altas taxas de sucesso na restauração da transparência corneana e estabilidade da superfície epitelial.
A membrana amniótica atua como um substrato biológico que promove a epitelização, reduz a inflamação e a fibrose. Embora útil como adjuvante para preparar o leito receptor ou tratar defeitos epiteliais agudos, ela não contém células-tronco limbares funcionais. Portanto, isoladamente, não resolve a conjuntivalização em 360º, exigindo o transplante de limbo associado.
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