INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Secundigesta de 25 anos de idade foi encaminhada para o pré- natal de alto risco, por história de pré-eclâmpsia grave com 32 semanas de gestação, o que havia motivado uma cesariana de urgência na primeira gestação. Durante a anamnese, ela revelou história de trombose venosa profunda em membro inferior esquerdo aos 19 anos de idade, quando descobriu ter deficiência de antitrombina (homozigótica).Haja vista a história apresentada, qual deverá ser a estratégia farmacológica para essa gestação?
Deficiência antitrombina homozigótica + PE grave prévia → AAS + Enoxaparina 1 mg/kg 12/12h na gestação.
Pacientes com trombofilias de alto risco, como a deficiência homozigótica de antitrombina, e história de pré-eclâmpsia grave, necessitam de dupla profilaxia. O AAS reduz o risco de pré-eclâmpsia, enquanto a enoxaparina em dose terapêutica (1 mg/kg 12/12h) é essencial para prevenir eventos tromboembólicos graves.
A deficiência de antitrombina é uma trombofilia hereditária rara, mas de alto risco, que predispõe a eventos tromboembólicos graves. Na gestação, essa condição é particularmente desafiadora, pois o estado de hipercoagulabilidade fisiológico da gravidez exacerba o risco. A forma homozigótica é ainda mais grave, exigindo manejo rigoroso para prevenir complicações maternas e fetais, como trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar (TEP), pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino (RCIU) e perdas gestacionais. O diagnóstico de deficiência de antitrombina deve ser considerado em pacientes com histórico de eventos trombóticos sem causa aparente, especialmente em idades jovens ou com história familiar. A avaliação laboratorial inclui a dosagem da atividade da antitrombina. Em gestantes com trombofilia de alto risco e histórico de complicações obstétricas graves, como pré-eclâmpsia severa, a abordagem terapêutica deve ser intensiva. A estratégia farmacológica para gestantes com deficiência de antitrombina e histórico de pré-eclâmpsia grave envolve a combinação de ácido acetilsalicílico (AAS) e enoxaparina. O AAS (100 mg/dia) é iniciado precocemente para reduzir o risco de pré-eclâmpsia. A enoxaparina, um anticoagulante de baixo peso molecular, é administrada em dose terapêutica (1 mg/kg a cada 12 horas) devido ao alto risco trombótico, diferentemente da dose profilática usada em riscos menores. Essa dupla abordagem visa otimizar a segurança materna e fetal, minimizando as chances de recorrência de eventos trombóticos e complicações obstétricas.
A deficiência de antitrombina aumenta significativamente o risco de trombose venosa e arterial, pré-eclâmpsia grave, restrição de crescimento fetal e perdas gestacionais, especialmente em sua forma homozigótica.
O AAS é indicado para reduzir o risco de pré-eclâmpsia, enquanto a enoxaparina em dose terapêutica é fundamental para prevenir eventos tromboembólicos em pacientes com trombofilia de alto risco, como a deficiência homozigótica de antitrombina.
A dose profilática de enoxaparina é geralmente 40 mg/dia, usada em riscos moderados. A dose terapêutica, como 1 mg/kg a cada 12 horas, é reservada para trombofilias de alto risco ou eventos trombóticos prévios, visando anticoagulação plena.
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