SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2022
Paciente esportista, de 35 anos, com queixa de fadiga, piora da performance esportiva e diminuição da libido, com ciclos menstruais regulares. Nega contraceptivo. Faz uso de cloridrato de sertralina, 50 mg/d, há seis meses. Orientada pelo seu “personal trainer” a procurar endocrinologista para avaliar níveis séricos de testosterona e possível terapia de reposição.Nesse caso, qual é a melhor conduta para essa paciente segundo as diretrizes da Endocrine Society?
A reposição de testosterona em mulheres com ciclos regulares e sem sinais de deficiência androgênica não é recomendada pelas diretrizes.
As diretrizes da Endocrine Society não recomendam a dosagem rotineira de testosterona em mulheres com queixas inespecíficas como fadiga e diminuição da libido, especialmente se os ciclos menstruais são regulares e não há sinais clínicos de deficiência androgênica. A reposição de testosterona em mulheres é um tema controverso e geralmente reservada para casos específicos de deficiência comprovada, como na insuficiência adrenal ou hipopituitarismo, e não para melhora de performance ou libido sem evidência clara de deficiência.
A avaliação e o manejo dos níveis de testosterona em mulheres são temas complexos e frequentemente mal interpretados, tanto por pacientes quanto por profissionais de saúde. A testosterona desempenha um papel importante na saúde feminina, mas seus níveis são naturalmente muito mais baixos do que nos homens, e flutuações dentro da faixa fisiológica podem não ter significado clínico. As diretrizes da Endocrine Society são claras ao desaconselhar a dosagem rotineira de testosterona em mulheres com queixas inespecíficas, como fadiga, diminuição da libido ou baixa performance esportiva, especialmente na ausência de sinais clínicos de hiperandrogenismo ou hipoandrogenismo secundário a condições médicas específicas (ex: insuficiência adrenal, hipopituitarismo). A paciente em questão, com ciclos menstruais regulares e uso de sertralina (que pode afetar a libido), não apresenta indicação para tal investigação. A reposição de testosterona em mulheres é um tratamento de nicho, reservado para casos muito específicos de deficiência androgênica comprovada e sintomática, e não para 'otimização' ou melhora de sintomas vagos. Os riscos potenciais, como virilização, efeitos cardiovasculares e hepáticos, superam os benefícios em pacientes sem indicação clara. Portanto, a melhor conduta é não solicitar níveis séricos de testosterona para essa paciente, mas sim investigar outras causas para seus sintomas e abordar os efeitos colaterais da medicação, se aplicável.
A dosagem de testosterona em mulheres é geralmente indicada em casos de suspeita de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne grave, alopecia androgênica, virilização) ou em condições específicas de deficiência androgênica, como insuficiência adrenal ou hipopituitarismo, e não para queixas inespecíficas como fadiga ou baixa libido sem outros sinais.
Não. A diminuição da libido em mulheres é multifatorial e pode ser influenciada por fatores psicossociais, estresse, doenças crônicas, uso de medicamentos (como a sertralina, que pode causar disfunção sexual), alterações hormonais (não apenas testosterona) e problemas de relacionamento. A baixa testosterona raramente é a única causa e não é a primeira a ser investigada sem outros sinais.
Não. As diretrizes da Endocrine Society não recomendam a reposição de testosterona para melhora da performance esportiva, fadiga ou bem-estar geral em mulheres sem uma condição médica subjacente que cause deficiência androgênica comprovada. A segurança e eficácia a longo prazo para essas indicações não estão estabelecidas.
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