Deficiência de Alfa-1-Antitripsina: Impacto Hepático e Pulmonar

SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021

Enunciado

A deficiência de á1-antitripsina, que resulta de mutações hereditárias, é um inibidor de serina protease, impede sua exportação de determinadas células onde pode ocasionar seu acúmulo, resultando em inflamação e fibrose, assim como outros achados. Essa deficiência está mais correlacionada ao desenvolvimento precoce de:

Alternativas

  1. A) insuficiência renal
  2. B) cirrose hepática
  3. C) atrofia cerebral
  4. D) miocardite

Pérola Clínica

Deficiência de α1-antitripsina → acúmulo hepático de proteína → cirrose hepática e enfisema pulmonar precoce.

Resumo-Chave

A deficiência de alfa-1-antitripsina (DAAT) é uma doença genética que causa a produção de uma proteína alfa-1-antitripsina anormal, que não é liberada do fígado. Seu acúmulo nos hepatócitos leva a danos celulares, inflamação e fibrose, resultando em cirrose hepática, especialmente em crianças.

Contexto Educacional

A deficiência de alfa-1-antitripsina (DAAT) é uma doença genética autossômica codominante, causada por mutações no gene SERPINA1, que codifica a proteína alfa-1-antitripsina (AAT). A AAT é um inibidor de serina protease, sintetizada principalmente no fígado, com a função primordial de proteger os tecidos, especialmente os pulmões, da ação destrutiva de enzimas como a elastase neutrofílica. A DAAT é uma condição subdiagnosticada, mas importante causa de doença pulmonar e hepática. A fisiopatologia da doença hepática na DAAT envolve a produção de uma AAT mutante que não consegue ser secretada adequadamente pelos hepatócitos. Essa proteína anormal se acumula no retículo endoplasmático das células hepáticas, formando polímeros que induzem estresse celular, inflamação e fibrose. Esse processo pode levar a hepatite neonatal, cirrose hepática em crianças e adultos, e aumento do risco de hepatocarcinoma. No pulmão, a deficiência circulante de AAT permite a ação desregulada da elastase, resultando em destruição do parênquima e enfisema pulmonar precoce. O diagnóstico da DAAT é feito pela dosagem sérica da AAT e, idealmente, por genotipagem. O tratamento para a doença hepática é principalmente de suporte, com manejo das complicações da cirrose, e em casos avançados, transplante hepático. Para a doença pulmonar, a terapia de reposição com AAT purificada pode retardar a progressão do enfisema. Residentes devem estar atentos a pacientes com enfisema precoce ou doença hepática inexplicada para considerar o diagnóstico de DAAT.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da deficiência de alfa-1-antitripsina?

As principais manifestações são doença hepática (hepatite neonatal, cirrose, hepatocarcinoma) devido ao acúmulo da proteína no fígado, e doença pulmonar (enfisema pulmonar precoce) devido à falta de proteção contra elastases.

Qual o mecanismo fisiopatológico da doença hepática na deficiência de alfa-1-antitripsina?

Mutações no gene SERPINA1 levam à produção de uma alfa-1-antitripsina anormal que polimeriza e se acumula nos hepatócitos, causando estresse do retículo endoplasmático, inflamação e fibrose, culminando em cirrose.

Como é feito o diagnóstico da deficiência de alfa-1-antitripsina?

O diagnóstico é feito pela dosagem sérica da alfa-1-antitripsina e confirmado por testes genéticos para identificar as mutações no gene SERPINA1.

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