Deficiência de MCAD: Diagnóstico e Fisiopatologia

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um lactente de 14 meses, previamente hígido, é levado à emergência com quadro de letargia profunda e sudorese fria. A mãe relata que a criança apresentou um quadro febril e vômitos na noite anterior, o que a impediu de se alimentar por cerca de 12 horas. Ao exame físico, o paciente apresenta-se hiporresponsivo e hepatomegálico. Os exames laboratoriais revelam glicemia de 38 mg/dL e ausência de corpos cetônicos na urina (reação de nitroprussiato negativa). A análise de ácidos orgânicos urinários demonstra uma excreção acentuada de ácidos dicarboxílicos de cadeia média (C6-C10) e acilglicinas. Com base no mecanismo bioquímico da beta-oxidação, qual é a explicação para o acúmulo desses metabólitos específicos e a fisiopatologia da hipoglicemia?

Alternativas

  1. A) Bloqueio na lançadeira de carnitina impedindo a entrada de ácidos graxos de cadeia longa.
  2. B) Deficiência na isomerase necessária para a oxidação de ácidos graxos insaturados da dieta.
  3. C) Falha na desidrogenação de acil-CoA de cadeia média com desvio para a ômega-oxidação microssomal.
  4. D) Inibição da enzima tiolase por excesso de NADH gerado na oxidação peroxissomal de VLCFAs.

Pérola Clínica

Sempre que encontrar uma criança com hipoglicemia grave durante um jejum provocado por doença intercorrente (como vômitos) e a urina não apresentar cetonas, suspeite de defeitos na beta-oxidação. A presença de ácidos dicarboxílicos C6-C10 é o 'carimbo' laboratorial da MCAD.

Contexto Educacional

A deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média (MCAD) é o erro inato da beta-oxidação mais comum. Clinicamente, apresenta-se em lactentes durante períodos de estresse metabólico ou jejum prolongado, resultando em crises de hipoglicemia hipocetótica que podem ser fatais se não tratadas precocemente com glicose intravenosa. O diagnóstico é sugerido pelo perfil de acilcarnitinas no teste do pezinho ou análise de ácidos orgânicos urinários. Fisiopatologicamente, a incapacidade de oxidar gorduras priva o fígado de ATP e NADH necessários para sustentar a gliconeogênese. Além disso, a produção de corpos cetônicos fica comprometida, deixando o cérebro sem substrato energético alternativo durante a hipoglicemia. O acúmulo de intermediários leva ao desvio metabólico para a ômega-oxidação, produzindo os ácidos dicarboxílicos característicos encontrados na urina.

Perguntas Frequentes

Por que não há corpos cetônicos?

Corpos cetônicos são feitos de acetil-CoA. Se a beta-oxidação está bloqueada precocemente ou no meio, a produção de acetil-CoA cai drasticamente, impedindo a cetogênese.

O que é ômega-oxidação?

É uma via alternativa de oxidação de ácidos graxos que ocorre no retículo endoplasmático. Ela oxida o carbono mais distante (ômega) da carboxila original, criando uma molécula com duas pontas ácidas (dicarboxílica).

Qual o tratamento?

Evitar jejum prolongado e manter uma dieta rica em carboidratos complexos, garantindo aporte de glicose constante.

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