FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Homem de 18 anos é avaliado por sopro cardíaco observado em um exame de saúde para realização de atividades esportivas. Ele se lembra de ter ouvido falar de um sopro no passado, mas não fez nenhum teste ou intervenção. Ele é assintomático, sem problemas médicos conhecidos e não toma medicamentos. Ao exame físico: os sinais vitais são normais; a pressão venosa central estimada é normal; o impulso apical é normal e nota-se um frêmito ao longo da borda esternal esquerda; ausculta: sopro holossistólico grau 4/6 na borda esternal esquerda, obscurecendo B2 (segunda bulha); o restante do exame físico é normal. ECG e radiografia de tórax são normais. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sopro holossistólico 4/6 + frêmito na borda esternal esquerda → Defeito do Septo Ventricular (DSV).
Um sopro holossistólico intenso (grau 4/6) com frêmito na borda esternal esquerda, obscurecendo a segunda bulha, é altamente sugestivo de Defeito do Septo Ventricular (DSV). A apresentação assintomática em um adulto jovem com exames complementares normais (ECG/RX) é comum em DSVs pequenos ou moderados.
O Defeito do Septo Ventricular (DSV) é a cardiopatia congênita mais comum, resultando em uma comunicação anormal entre os ventrículos. Embora frequentemente diagnosticado na infância, DSVs pequenos ou moderados podem permanecer assintomáticos e ser descobertos apenas na adolescência ou idade adulta, muitas vezes em exames de rotina ou pré-participação esportiva. A sua importância clínica reside no risco de complicações como endocardite infecciosa, insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar em casos não tratados ou de maior repercussão. A fisiopatologia do DSV envolve um shunt da esquerda para a direita, levando a um aumento do fluxo pulmonar. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na ausculta de um sopro holossistólico intenso (grau 4/6 ou mais) com frêmito palpável na borda esternal esquerda, que pode irradiar para o precórdio e obscurecer a segunda bulha (B2). Exames complementares como ECG e radiografia de tórax podem ser normais em defeitos menores, mas o ecocardiograma é essencial para confirmar o diagnóstico, avaliar o tamanho do defeito, a direção do shunt e a presença de complicações. O tratamento do DSV varia conforme o tamanho e a repercussão hemodinâmica. Defeitos pequenos podem fechar espontaneamente ou não necessitar de intervenção, apenas acompanhamento. Defeitos maiores com sinais de sobrecarga ventricular ou hipertensão pulmonar podem exigir correção cirúrgica ou percutânea. É crucial o acompanhamento cardiológico regular para monitorar a evolução e prevenir complicações, especialmente em pacientes assintomáticos que podem subestimar a condição.
O DSV é caracterizado por um sopro holossistólico de alta intensidade (geralmente > 3/6) com frêmito palpável na borda esternal esquerda, podendo obscurecer a segunda bulha cardíaca.
Em DSVs pequenos ou moderados, especialmente em pacientes assintomáticos, o ECG e a radiografia de tórax podem não mostrar alterações significativas, pois não há sobrecarga ventricular ou hipertensão pulmonar importante.
O ecocardiograma transtorácico é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de DSV, avaliando o tamanho, localização e repercussão hemodinâmica do defeito.
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