INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma paciente com 26 anos comparece à unidade de saúde da família para consulta com relato de dispneia aos esforços, que vem se intensificando nos últimos 3 ou 4 meses. O médico a examina e observa um desdobramento fixo da segunda bulha audível em foco pulmonar. O exame físico revela frequência cardíaca em ritmo regular de 80 bpm, sem outros achados. Nesse caso, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e o risco potencial relacionado com esse diagnóstico?
Desdobramento fixo da segunda bulha (S2) é patognomônico de Defeito do Septo Interatrial (CIA), com risco potencial de embolia paradoxal.
O desdobramento fixo da segunda bulha cardíaca é um achado clássico do defeito do septo interatrial (CIA), uma cardiopatia congênita acianótica. Embora o shunt seja tipicamente da esquerda para a direita, a embolia paradoxal (embolia sistêmica) é uma complicação rara, mas potencial, especialmente se houver reversão do shunt ou forame oval patente associado.
O Defeito do Septo Interatrial (CIA) é uma das cardiopatias congênitas mais comuns, caracterizada por uma comunicação anormal entre os átrios direito e esquerdo. É uma cardiopatia acianótica que, em muitos casos, pode ser assintomática na infância e ser diagnosticada apenas na vida adulta. A dispneia aos esforços é um sintoma comum em adultos, refletindo a sobrecarga de volume no lado direito do coração e, eventualmente, hipertensão pulmonar. O exame físico é crucial para o diagnóstico, e o achado mais característico do CIA é o desdobramento fixo da segunda bulha (S2) no foco pulmonar. Isso ocorre devido ao aumento do fluxo sanguíneo através da valva pulmonar, que prolonga a ejeção do ventrículo direito, atrasando o fechamento da valva pulmonar (P2). Como o volume de sangue que passa pelo defeito é constante, o desdobramento não varia com a respiração, tornando-o 'fixo'. Outros achados podem incluir um sopro sistólico ejetivo no foco pulmonar. As complicações a longo prazo de um CIA não corrigido incluem hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca direita, arritmias atriais e, embora menos comum, o risco de embolia paradoxal. A embolia paradoxal ocorre quando um trombo formado na circulação venosa (por exemplo, nas pernas) atravessa o defeito septal e entra na circulação sistêmica, podendo causar acidentes vasculares cerebrais ou outras embolias. O tratamento definitivo geralmente envolve o fechamento do defeito, seja por cateterismo ou cirurgia, para prevenir essas complicações.
O desdobramento fixo da segunda bulha (S2) é um achado patognomônico do Defeito do Septo Interatrial (CIA). Significa que os componentes aórtico (A2) e pulmonar (P2) da S2 estão separados e essa separação não varia com a inspiração ou expiração, devido ao fluxo constante de sangue através do defeito.
No CIA, há um shunt da esquerda para a direita, levando a um aumento crônico do volume de sangue no ventrículo direito e na artéria pulmonar. Isso prolonga a ejeção do ventrículo direito, atrasando o fechamento da valva pulmonar (P2), e como o volume de shunt é constante, o desdobramento de A2 e P2 permanece fixo, independente da respiração.
As complicações de um CIA não corrigido em adultos incluem hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca direita, arritmias atriais (como fibrilação atrial) e, mais raramente, embolia paradoxal (embolia sistêmica) se houver reversão do shunt ou forame oval patente associado, permitindo a passagem de trombos da circulação venosa para a arterial.
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