Pupila de Marcus Gunn: Diagnóstico e Significado Clínico

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Durante exame neurológico, médico observa que o paciente apresenta pupilas simétricas e que se contraem com a exposição de cada olho à luz de uma lanterna. Ao mudar rapidamente a lanterna acesa de um olho para o outro diversas vezes, o médico observa discreta variação no diâmetro das pupilas, sendo ligeiramente menores quando a luz é posicionada em frente ao olho direito. Assinale a alternativa que apresenta uma possível topografia de lesão que poderia estar associada ao exame neurológico descrito:

Alternativas

  1. A) Lobo occipital direito.
  2. B) Nervo oculomotor esquerdo.
  3. C) Nervo óptico esquerdo.
  4. D) Retina do olho direito.

Pérola Clínica

Lesão nervo óptico esquerdo → pupila de Marcus Gunn → menor constrição bilateral ao iluminar olho esquerdo.

Resumo-Chave

A pupila de Marcus Gunn (defeito pupilar aferente relativo) indica lesão na via aferente (nervo óptico) anterior ao quiasma óptico. Ao iluminar o olho afetado, há menor constrição pupilar bilateral ou até dilatação paradoxal quando a luz é movida do olho sadio para o afetado.

Contexto Educacional

O reflexo fotomotor é um componente crucial do exame neurológico, avaliando a integridade das vias ópticas e oculomotoras. A pupila de Marcus Gunn, ou defeito pupilar aferente relativo (DPAR), é um sinal clínico de lesão na via aferente do reflexo fotomotor, tipicamente no nervo óptico, anterior ao quiasma. Sua identificação é fundamental para localizar lesões neurológicas. A fisiopatologia envolve uma transmissão de sinal luminosa mais fraca do olho afetado para o mesencéfalo. No teste do balanço da lanterna, ao mover a luz do olho não afetado para o afetado, observa-se uma dilatação paradoxal ou uma constrição menos intensa de ambas as pupilas, em vez de uma constrição adicional. Isso ocorre porque o estímulo aferente do olho afetado é insuficiente para manter o tônus de constrição pupilar. O DPAR é um indicador sensível de doença do nervo óptico (neurite óptica, neuropatia isquêmica, glaucoma avançado) ou doença retiniana extensa. É importante diferenciá-lo de lesões do nervo oculomotor, que causam anisocoria com pupila dilatada e não reativa no lado da lesão, sem o fenômeno de Marcus Gunn. O reconhecimento precoce do DPAR pode guiar a investigação diagnóstica e o tratamento de condições oftalmológicas e neurológicas subjacentes.

Perguntas Frequentes

O que é a pupila de Marcus Gunn?

A pupila de Marcus Gunn, ou defeito pupilar aferente relativo (DPAR), é um sinal clínico de lesão na via aferente do reflexo fotomotor, geralmente no nervo óptico, anterior ao quiasma. Indica que o olho afetado percebe a luz de forma menos intensa.

Como realizar o teste do balanço da lanterna?

O teste do balanço da lanterna consiste em mover rapidamente uma fonte de luz de um olho para o outro, observando a resposta pupilar. Em caso de DPAR, ao mover a luz do olho sadio para o afetado, as pupilas dilatam paradoxalmente ou constringem menos, em vez de manter a constrição.

Qual a diferença entre lesão do nervo óptico e oculomotor no reflexo pupilar?

Lesão do nervo óptico (via aferente) causa DPAR (pupila de Marcus Gunn), onde a resposta à luz é diminuída bilateralmente ao iluminar o olho afetado. Lesão do nervo oculomotor (via eferente) causa anisocoria com pupila dilatada e não reativa à luz no lado da lesão, sem o fenômeno de Marcus Gunn.

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