CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2021
As figuras representam três diferentes testes realizados em sequência no mesmo paciente com lacrimejamento crônico. Qual o diagnóstico mais provável?
Jones I (-) + Jones II (+) com refluxo de soro limpo → Defeito de bomba lacrimal.
O defeito de bomba ocorre quando a via anatômica está pérvia (Jones II positivo), mas a propulsão mecânica pelo músculo orbicular falha em drenar a lágrima.
O sistema de drenagem lacrimal depende de um mecanismo ativo e passivo. O mecanismo ativo, conhecido como bomba lacrimal, é acionado pelo músculo orbicular durante o piscar. Quando as pálpebras se fecham, a porção pré-septal e pré-tarsal do orbicular comprime o saco lacrimal e os canalículos, criando uma pressão que impele a lágrima. Em pacientes com lacrimejamento crônico onde os exames de imagem ou irrigação mostram patência, o defeito funcional deve ser investigado. O manejo clínico foca na correção da causa base, como a correção cirúrgica de malposições palpebrais ou o tratamento da superfície ocular para reduzir a produção reflexa de lágrimas.
O defeito de bomba lacrimal, também conhecido como epífora funcional, caracteriza-se pela incapacidade do sistema de drenagem em bombear a lágrima para dentro do saco lacrimal, apesar de não haver uma obstrução física anatômica. Isso ocorre geralmente por fraqueza do músculo orbicular (como na paralisia facial ou senilidade) ou por frouxidão palpebral. Clinicamente, o paciente apresenta lacrimejamento, mas ao realizar o teste de Jones I (instilação de fluoresceína no saco conjuntival), não há recuperação do corante na meato inferior do nariz após 5 minutos. No entanto, ao realizar o teste de Jones II (irrigação sob pressão), o soro passa livremente para a orofaringe, confirmando que o caminho está desobstruído.
O Teste de Jones I é positivo se a fluoresceína for recuperada no nariz, indicando sistema patente. Se negativo, prossegue-se para o Jones II. No Jones II, a irrigação da via lacrimal com soro fisiológico é realizada. Se o soro chegar à garganta sem resistência e sem refluxo de secreção, o teste é positivo, sugerindo que a via é anatomicamente aberta, mas funcionalmente ineficiente (defeito de bomba). Se houver refluxo de material purulento ou o soro não passar, confirma-se uma obstrução anatômica (baixa se houver refluxo pelo ponto oposto, ou alta se houver refluxo pelo mesmo ponto).
As causas principais incluem a paralisia do nervo facial (VII par), que inerva o músculo orbicular do olho, responsável pelo mecanismo de pressão negativa que 'suga' a lágrima para os pontos lacrimais. Outras causas comuns são a ectrópio (eversão da pálpebra), frouxidão palpebral excessiva relacionada à idade (síndrome da pálpebra frouxa) e cicatrizes que impedem a excursão normal das pálpebras durante o piscar. O diagnóstico diferencial é fundamental para evitar cirurgias desnecessárias de dacriocistorrinostomia em pacientes que possuem apenas uma falha mecânica de bombeamento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo