Dengue no Brasil: Aumento da Incidência em Crianças

HFCF - Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ) — Prova 2019

Enunciado

Em decorrência do processo de hiperendemicidade da dengue no Brasil, vem ocorrendo uma mudança na sua distribuição etária, havendo um:

Alternativas

  1. A) Progressivo aumento da incidência em maiores de 15 anos
  2. B) Progressivo aumento de incidência em maiores de 65 anos
  3. C) Progressivo aumento de incidência em menores de 15 anos
  4. D) Progressivo diminuição de incidência em menores de 65 anos

Pérola Clínica

Hiperendemicidade dengue → ↑ incidência em < 15 anos.

Resumo-Chave

A hiperendemicidade da dengue no Brasil, com a circulação simultânea de múltiplos sorotipos, tem levado a uma mudança no perfil epidemiológico, com um aumento progressivo da incidência e da gravidade da doença em crianças e adolescentes (< 15 anos).

Contexto Educacional

A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, com ciclos epidêmicos e uma tendência crescente de hiperendemicidade, ou seja, a circulação simultânea de múltiplos sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4). Esse cenário epidemiológico complexo tem levado a importantes mudanças no perfil da doença, incluindo a sua distribuição etária e a gravidade dos casos. Historicamente, a dengue era mais frequentemente associada a adultos jovens. No entanto, com a hiperendemicidade e a maior exposição da população a diferentes sorotipos ao longo do tempo, observa-se um progressivo aumento da incidência e da gravidade da dengue em crianças e adolescentes, especialmente em menores de 15 anos. Isso ocorre porque as infecções secundárias por um sorotipo diferente do da primeira infecção aumentam o risco de formas mais graves da doença, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave. A compreensão dessa mudança no perfil epidemiológico é crucial para a prática clínica e as políticas de saúde pública. Médicos e residentes devem estar atentos aos sinais e sintomas da dengue em crianças, que podem ser inespecíficos ou atípicos, e reconhecer precocemente os sinais de alarme para instituir o manejo adequado e evitar complicações graves. A prevenção, por meio do controle do vetor Aedes aegypti, e a vigilância epidemiológica contínua são essenciais para mitigar o impacto da dengue nessa população vulnerável.

Perguntas Frequentes

Por que a hiperendemicidade da dengue pode levar a um aumento da incidência em crianças?

A circulação de múltiplos sorotipos do vírus da dengue aumenta a chance de infecções secundárias em indivíduos que já tiveram dengue. Crianças, por terem menor exposição prévia a diferentes sorotipos, tornam-se uma população suscetível a novas infecções, que podem ser mais graves.

Quais são as manifestações clínicas da dengue em crianças que merecem atenção especial?

Em crianças, a dengue pode apresentar-se com sintomas atípicos, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, irritabilidade e sangramentos, que são sinais de alarme e indicam a necessidade de monitoramento rigoroso para evitar a progressão para formas graves.

Como a vigilância epidemiológica da dengue se adapta a essa mudança de perfil etário?

A vigilância deve intensificar o monitoramento de casos em crianças, com maior atenção aos sinais de alarme e à notificação, além de campanhas de conscientização direcionadas a pais e escolas sobre a prevenção e o reconhecimento precoce da doença nessa faixa etária.

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