HFCF - Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ) — Prova 2019
Em decorrência do processo de hiperendemicidade da dengue no Brasil, vem ocorrendo uma mudança na sua distribuição etária, havendo um:
Hiperendemicidade dengue → ↑ incidência em < 15 anos.
A hiperendemicidade da dengue no Brasil, com a circulação simultânea de múltiplos sorotipos, tem levado a uma mudança no perfil epidemiológico, com um aumento progressivo da incidência e da gravidade da doença em crianças e adolescentes (< 15 anos).
A dengue é uma arbovirose de grande impacto na saúde pública brasileira, com ciclos epidêmicos e uma tendência crescente de hiperendemicidade, ou seja, a circulação simultânea de múltiplos sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4). Esse cenário epidemiológico complexo tem levado a importantes mudanças no perfil da doença, incluindo a sua distribuição etária e a gravidade dos casos. Historicamente, a dengue era mais frequentemente associada a adultos jovens. No entanto, com a hiperendemicidade e a maior exposição da população a diferentes sorotipos ao longo do tempo, observa-se um progressivo aumento da incidência e da gravidade da dengue em crianças e adolescentes, especialmente em menores de 15 anos. Isso ocorre porque as infecções secundárias por um sorotipo diferente do da primeira infecção aumentam o risco de formas mais graves da doença, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave. A compreensão dessa mudança no perfil epidemiológico é crucial para a prática clínica e as políticas de saúde pública. Médicos e residentes devem estar atentos aos sinais e sintomas da dengue em crianças, que podem ser inespecíficos ou atípicos, e reconhecer precocemente os sinais de alarme para instituir o manejo adequado e evitar complicações graves. A prevenção, por meio do controle do vetor Aedes aegypti, e a vigilância epidemiológica contínua são essenciais para mitigar o impacto da dengue nessa população vulnerável.
A circulação de múltiplos sorotipos do vírus da dengue aumenta a chance de infecções secundárias em indivíduos que já tiveram dengue. Crianças, por terem menor exposição prévia a diferentes sorotipos, tornam-se uma população suscetível a novas infecções, que podem ser mais graves.
Em crianças, a dengue pode apresentar-se com sintomas atípicos, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, irritabilidade e sangramentos, que são sinais de alarme e indicam a necessidade de monitoramento rigoroso para evitar a progressão para formas graves.
A vigilância deve intensificar o monitoramento de casos em crianças, com maior atenção aos sinais de alarme e à notificação, além de campanhas de conscientização direcionadas a pais e escolas sobre a prevenção e o reconhecimento precoce da doença nessa faixa etária.
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