UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023
Mulher, 96 anos, com perda progressiva de peso nos últimos anos, apresentou duas quedas em 6 meses, sendo a última há 2 semanas. Não houve fraturas, mas, na última queda, fez uso de tramadol para dor na bacia, tendo ficado muito sonolenta e constipada com essa medicação. A filha acha que a memória está “ótima para a idade”, todavia refere quadro prolongado de: discurso repetitivo no dia-a-dia; troca de nome dos familiares; perda de interesse para as atividades; necessidade de ajuda para tomar remédios. Nega déficits sensoriais, doenças prévias e uso crônico de medicamentos. Exames laboratoriais: normais, exceto uma velocidade de hemossedimentação (VHS) = 42mm/h na 1ª hora. Alguns dados deste caso podem ser justificados apenas pelas alterações fisiológicas do envelhecimento, entretanto, pode-se afirmar que deve ser considerado patológico:
Prejuízo em AVDs + discurso repetitivo + troca de nomes em idoso → Declínio cognitivo patológico.
Embora algumas alterações sejam fisiológicas no envelhecimento, o prejuízo nas atividades de vida diária (AVDs) e o discurso repetitivo/troca de nomes indicam um declínio cognitivo patológico, que vai além do esperado para a idade e sugere um quadro demencial.
O envelhecimento é um processo complexo que envolve alterações fisiológicas em diversos sistemas, mas é fundamental diferenciar o que é esperado do que é patológico. A avaliação geriátrica abrangente busca identificar síndromes geriátricas e condições que impactam a funcionalidade e a qualidade de vida do idoso, como o declínio cognitivo. Alterações como perda de massa magra (sarcopenia), maior sensibilidade a medicamentos devido a alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas, e uma leve elevação da VHS (imunossenescência) podem ser consideradas fisiológicas. No entanto, o comprometimento das atividades de vida diária (AVDs), como a necessidade de ajuda para tomar remédios, juntamente com queixas de memória e linguagem (discurso repetitivo, troca de nomes), são indicativos de um declínio cognitivo patológico, sugerindo um quadro demencial. O diagnóstico precoce do declínio cognitivo patológico é essencial para iniciar intervenções adequadas, que podem incluir tratamento farmacológico, reabilitação cognitiva e suporte psicossocial. A identificação desses sinais permite um manejo mais eficaz e a melhora da qualidade de vida do idoso e de seus cuidadores, evitando a atribuição de todos os sintomas ao 'envelhecimento normal'.
Sinais como prejuízo nas atividades de vida diária (AVDs), discurso repetitivo, troca de nomes de familiares e perda de interesse em atividades habituais sugerem um declínio cognitivo patológico, que vai além do envelhecimento normal.
A perda de peso por redução da massa magra (sarcopenia), maior susceptibilidade a efeitos adversos de medicamentos devido a alterações metabólicas e uma leve elevação do VHS podem ser consideradas alterações fisiológicas do envelhecimento.
É crucial para um diagnóstico precoce de demências, permitindo intervenções que podem retardar a progressão da doença, melhorar a qualidade de vida e oferecer suporte adequado ao paciente e seus familiares, evitando a subestimação de sintomas.
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