Declaração de Óbito: Preenchimento Correto da Cadeia Causal

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 87 anos portador da Síndrome de Parkinson, deu entrada na Emergência do Hospital, com história de vômitos sanguinolentos. Ao exame físico apresentava-se descorado com PA 80x50 mmHg. Foi encaminhado para UTI. O paciente é portador neoplasia maligna das vias biliares, diagnosticado há cinco meses, segundo familiar que o acompanhava. Foram realizados exames de imagem que identificou metástase para o fígado e que levaram a hemorragia digestiva. O paciente evolui para choque hipovolêmico e parada cárdio respiratória. Foram realizadas manobras de reanimação, porém sem sucesso. O óbito foi constatado e atestado pelo médico chefe do plantão da emergência. Indique a alternativa correta para o preenchimento da declaração de óbito para as causas da morte deste paciente na parte I e Parte II:

Alternativas

  1. A) Parte Ia – Choque hipovolêmicob – Hemorragia digestivac – Metástase do fígadod – Neoplasia das vias biliaresParte IISíndrome de Parkinson
  2. B) Parte Ia – Hemorragia digestivab – Choque hipovolêmicoc – Metástase do fígadod – Neoplasia das vias biliaresParte IISindrome de Parkinson
  3. C) Parte Ia- Neoplasia das vias biliaresb- Metástase do fígadoc- Hemorragia digestivad- Choque hipovolêmicoParte II Síndrome de Parkinson
  4. D) Parte Ia- Parada cardio respiratóriab- Choque hipovolêmicoc- Hemorragia digestivad- Metástase do fígadoParte IINeoplasia das vias biliares

Pérola Clínica

Declaração de Óbito: Parte I = cadeia causal direta da morte (doença básica → causa intermediária → causa imediata). Parte II = outras condições contribuintes.

Resumo-Chave

A declaração de óbito deve seguir a lógica da cadeia de eventos que levaram à morte. Na Parte I, a causa imediata (a que levou diretamente ao óbito) é o choque hipovolêmico, decorrente da hemorragia digestiva, que por sua vez foi causada pela metástase hepática, sendo a doença básica a neoplasia das vias biliares. A Síndrome de Parkinson, embora uma comorbidade importante, não participou diretamente da cadeia causal da morte, sendo registrada na Parte II.

Contexto Educacional

O preenchimento correto da declaração de óbito é uma responsabilidade médica crucial, com implicações legais, epidemiológicas e estatísticas. A declaração de óbito é dividida em duas partes principais: Parte I e Parte II, que devem ser preenchidas seguindo as diretrizes da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). A precisão no preenchimento é vital para a coleta de dados de mortalidade e para a formulação de políticas de saúde pública. A Parte I da declaração de óbito destina-se a registrar a cadeia de eventos que levaram diretamente à morte. Ela é subdividida em linhas (a, b, c, d), onde se descreve a sequência cronológica e causal. A linha "a" contém a causa imediata da morte (a doença ou complicação que levou diretamente ao óbito). As linhas subsequentes (b, c, d) descrevem as causas antecedentes, ou seja, as condições que levaram à causa imediata, retrocedendo até a causa básica da morte, que é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos. A Parte II é reservada para outras condições mórbidas significativas que contribuíram para a morte, mas que não estavam diretamente relacionadas à cadeia causal da Parte I. No caso apresentado, a neoplasia das vias biliares com metástase hepática foi a causa básica, levando à hemorragia digestiva e, consequentemente, ao choque hipovolêmico e parada cardiorrespiratória. A Síndrome de Parkinson, embora uma condição crônica do paciente, não se encaixa na cadeia causal direta da morte, sendo, portanto, corretamente alocada na Parte II como uma comorbidade contribuinte.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre a Parte I e a Parte II da declaração de óbito?

A Parte I registra a cadeia de eventos que levaram diretamente à morte, começando pela causa imediata e retrocedendo até a causa básica. A Parte II lista outras condições significativas que contribuíram para a morte, mas não fizeram parte da cadeia causal direta.

Como identificar a causa básica da morte?

A causa básica da morte é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que, sem interrupção, levou à morte. É a condição fundamental que desencadeou todo o processo.

Por que a Síndrome de Parkinson foi para a Parte II neste caso?

A Síndrome de Parkinson é uma comorbidade crônica que não teve um papel direto na cadeia de eventos que culminou na hemorragia digestiva, choque hipovolêmico e parada cardiorrespiratória, sendo, portanto, uma condição contribuinte e não uma causa na sequência direta da morte.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo