UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Paciente de 74 anos, diabético e com insuficiência renal crônica (ESTAGIO 3), veio trazido ao pronto socorro com quadro de confusão mental e agitação psicomotora súbita, sem febre, e sem evacuar há quatro dias, com queixa de dor abdominal e sangue nas fezes. Familiar relata história pregressa de doença diverticular, diagnosticado em colonoscopia de rotina. Paciente foi internado e iniciou antibioticoterapia e volume controlado para a IRC, porém evoluiu com parada cardiorrespiratória, foi submetida a reanimação sem sucesso. Neste caso, a declaração de óbito, no tópico “condições e causas do óbito” deve constar:
Declaração de óbito: Parte I = cadeia causal direta; Parte II = outras condições contribuintes.
A declaração de óbito deve seguir uma lógica causal, listando na Parte I a sequência de eventos que levaram diretamente à morte, do mais recente ao mais antigo. Na Parte II, são incluídas as condições preexistentes que contribuíram, mas não fizeram parte da cadeia causal direta.
A declaração de óbito é um documento médico-legal de extrema importância, tanto para fins estatísticos de saúde pública quanto para questões legais e previdenciárias. Seu preenchimento correto exige compreensão da fisiopatologia e da sequência de eventos que culminaram na morte do paciente. A estrutura é dividida em Parte I (causas diretas) e Parte II (condições contribuintes). Na Parte I, a sequência deve ser preenchida de forma regressiva: linha "a" para a causa imediata da morte (o evento final), linha "b" para a causa antecedente da "a", linha "c" para a causa antecedente da "b", e linha "d" para a causa básica, que é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos. No caso apresentado, o choque séptico levou à morte, que foi causada pela sepse, que por sua vez foi decorrente da diverticulite, que se originou da doença diverticular. A Parte II da declaração de óbito destina-se a registrar outras condições mórbidas significativas que contribuíram para o óbito, mas que não estavam diretamente relacionadas à doença ou condição que o causou. No caso, diabetes mellitus e insuficiência renal crônica são comorbidades importantes que aumentaram a vulnerabilidade do paciente e contribuíram para o desfecho fatal, mas não foram elos diretos na cadeia da sepse por diverticulite.
A Parte I lista a sequência de eventos que levaram diretamente à morte, começando pela causa imediata (a) e retrocedendo até a causa básica (d), que iniciou a cadeia.
Comorbidades como diabetes mellitus e insuficiência renal crônica (IRC), que contribuíram para o óbito mas não fazem parte da cadeia causal direta, devem ser registradas na Parte II da declaração de óbito.
A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que levaram diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo