HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2015
Homem de 52 anos de idade, negro, casado, operário da construção civil, hipertenso há quatro anos, foi admitido no Serviço de Emergência com quadro clínico de abdome agudo e história de febre há duas semanas. Submetido a laparotomia, esta revelou perfuração de alça intestinal e peritonite fecal. Evoluiu com septicemia após a cirurgia e veio a falecer de choque séptico dois dias depois. O exame anátomo-patológico mostrou reação específica à infecção pela Salmonella typhi no local da perfuração. A parte I do atestado médico da Declaração de Óbito deve ser assim preenchida:
Preenchimento DO: I (causa imediata) → II (causa intermediária) → III (causa básica) → IV (condições contribuintes).
A Declaração de Óbito deve seguir a lógica da cadeia de eventos que levou à morte, começando pela causa imediata (I), passando pelas causas intermediárias (II e III) e culminando na causa básica (IV), que é a doença ou lesão que iniciou a sequência.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma habilidade fundamental para qualquer médico, pois este documento possui implicações legais, epidemiológicas e estatísticas significativas. A DO não é apenas um registro burocrático, mas uma ferramenta vital para a compreensão dos padrões de morbimortalidade e para o planejamento de políticas de saúde pública. A parte I da DO exige a descrição da cadeia de eventos que levou à morte, seguindo uma lógica fisiopatológica. A estrutura da Parte I da DO é hierárquica: a linha I deve conter a causa imediata da morte (a condição final que levou ao óbito); a linha II, a causa intermediária (condição que resultou da causa básica e levou à imediata); e a linha III, a causa básica (a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos). A linha IV é para outras condições significativas que contribuíram para a morte, mas não faziam parte da cadeia causal direta. No caso apresentado, a febre tifoide (causa básica) levou à perfuração de alça intestinal (causa intermediária), que resultou em peritonite fecal (outra causa intermediária) e, finalmente, em choque séptico (causa imediata) que culminou no óbito. A hipertensão arterial sistêmica é uma comorbidade que contribuiu para a gravidade do quadro, mas não faz parte da cadeia causal direta da morte, sendo, portanto, uma condição contribuinte (Parte II da DO, não na Parte I).
A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que levaram à morte, sendo fundamental para estatísticas de saúde pública e prevenção.
A causa imediata é a condição final que levou ao óbito, enquanto a intermediária é a condição que surgiu da causa básica e levou à imediata, formando uma sequência lógica.
Erros comuns incluem a inversão da ordem das causas, a omissão de elos na cadeia causal e a inclusão de sintomas ou síndromes como causas básicas, em vez da doença subjacente.
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