UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2019
R.S.T., grávida de 28 semanas, chega ao hospital com fortes dores abdominais tipo cólica e secreção vaginal de coloração escura e de odor fétido. Após exame físico, constata-se que ela se encontra em trabalho de parto prematuro, com rotura prematura das membranas, sem informação sobre o tempo decorrido entre a rotura e o internamento. Foi verificado que se trata de óbito fetal, com diagnóstico de sofrimento fetal agudo e sinais de corioamnionite. Após a expulsão do feto, a mãe é submetida a tratamento rigoroso e recebe alta após 10 dias de internamento. Constavam em seu prontuário de pré-natal vários episódios de infecção urinária durante a gravidez, sendo a última registrada 15 dias antes do início das queixas que levaram ao internamento hospitalar. Seguindo a ordem de preenchimento de “a” até “d”, são causas de morte a serem declaradas na parte I da Declaração de Óbito:
DO Fetal: Preencher a Parte I com a cadeia de eventos que levou ao óbito, do mais direto (a) ao mais básico (d).
A Declaração de Óbito (DO) fetal deve seguir uma lógica de causalidade. A Parte I registra a sequência de eventos que culminaram na morte, começando pela causa imediata (a) e retrocedendo até a causa básica (d), que é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos.
A Declaração de Óbito (DO) é um documento fundamental para as estatísticas de saúde e para a compreensão dos padrões de mortalidade. No caso do óbito fetal, seu preenchimento correto é ainda mais crítico, pois permite identificar as causas e fatores associados, subsidiando ações de saúde materno-infantil. A Parte I da DO destina-se ao registro da cadeia de eventos que levaram diretamente à morte, seguindo uma ordem lógica de causalidade. Para o preenchimento da Parte I, deve-se iniciar pela linha 'a' com a causa imediata da morte, ou seja, a condição final que levou ao óbito. As linhas subsequentes ('b', 'c', 'd') devem registrar as causas antecedentes, em ordem cronológica inversa, até chegar à causa básica da morte na linha 'd'. A causa básica é definida como a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que conduziu diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. No caso apresentado, o sofrimento fetal agudo foi a causa imediata do óbito. A corioamnionite foi a condição que levou ao sofrimento fetal agudo. A rotura prematura das membranas foi a condição que precedeu a corioamnionite, e a infecção urinária materna recorrente foi a causa básica, que iniciou todo o processo patológico que culminou no óbito fetal. Portanto, a sequência correta na Parte I é: (a) Sofrimento fetal agudo; (b) Corioamnionite; (c) Rotura prematura das membranas; (d) Infecção urinária materna.
A correta ordem é crucial para a análise epidemiológica e estatística da mortalidade. Permite identificar a causa básica da morte, que é o evento inicial da cadeia, auxiliando na formulação de políticas públicas de saúde e prevenção.
A corioamnionite é uma infecção das membranas e do líquido amniótico, frequentemente associada à rotura prematura de membranas e infecções ascendentes. Pode causar sofrimento fetal, sepse fetal e, consequentemente, óbito, além de precipitar o trabalho de parto prematuro.
Sim, a infecção urinária materna não tratada ou recorrente pode ser um fator predisponente para complicações como a rotura prematura de membranas e a corioamnionite, que por sua vez levam ao sofrimento e óbito fetal. Assim, ela pode ser a causa básica que iniciou a cadeia de eventos.
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