HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2018
Mulher diabética desenvolveu uma toxemia severa durante a gravidez. A placenta descolou prematuramente, foi realizada uma cesárea e o feto morreu durante esse período. Na Declaração de Óbito o preenchimento da causa de morte deve ser feito como no modelo a seguir:
DO fetal: Parte I = sequência direta (descolamento → toxemia); Parte II = condições maternas contribuintes (diabetes).
No preenchimento da Declaração de Óbito fetal, a Parte I deve conter a sequência de eventos que levaram diretamente à morte (ex: descolamento prematuro de placenta causado por toxemia materna). A Parte II é reservada para outras condições maternas significativas que contribuíram, mas não estavam na cadeia causal direta, como o diabetes melito.
O preenchimento da Declaração de Óbito (DO), especialmente em casos de morte fetal, é um procedimento que exige rigor e conhecimento da sequência causal dos eventos. A DO é dividida em duas partes principais: a Parte I, que detalha a cadeia de eventos mórbidos que levaram diretamente à morte, e a Parte II, que registra outras condições significativas que contribuíram para o óbito, mas não estavam na sequência causal direta. No cenário apresentado, a morte fetal é diretamente causada pelo descolamento prematuro de placenta (Parte I, linha 'a'). Este descolamento foi uma complicação da toxemia materna severa (Parte I, linha 'b'). A toxemia, por sua vez, foi agravada ou desencadeada pela condição preexistente da mãe, o diabetes melito. No entanto, o diabetes melito não é um evento na cadeia direta que levou ao descolamento e, portanto, à morte fetal, mas sim uma condição que contribuiu para a gravidade da toxemia. Assim, o diabetes melito deve ser registrado na Parte II da DO. Para residentes, a compreensão dessa lógica é fundamental para evitar erros que podem comprometer a qualidade dos dados de mortalidade. A correta identificação da causa básica e da sequência de eventos permite uma análise epidemiológica mais precisa, que, por sua vez, subsidia a formulação de políticas públicas eficazes para a redução da mortalidade materno-infantil e fetal, focando em condições como o controle do diabetes na gravidez e a prevenção de toxemias.
A Parte I da Declaração de Óbito deve descrever a sequência de eventos que levaram diretamente à morte fetal. Começa com a causa imediata (a), seguida pelas causas antecedentes (b, c, etc.) que levaram à causa imediata, formando uma cadeia causal lógica.
Condições maternas devem ser incluídas na Parte II quando contribuíram para a morte fetal, mas não fazem parte da sequência causal direta que levou ao óbito. Por exemplo, uma doença crônica como o diabetes melito que predispôs a complicações, mas não foi a causa imediata ou antecedente direta.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito fetal é crucial para a obtenção de dados epidemiológicos precisos sobre as causas de mortalidade perinatal. Essas informações são vitais para o planejamento de políticas de saúde materno-infantil e para a prevenção de futuras mortes.
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