Preenchimento da Declaração de Óbito: Casos de Trauma

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 34 anos veio trazido ao pronto socorro com história de trauma crânio encefálico, após acidente de moto em colisão com carro, este paciente veio acompanhado de irmão que relatando história de ingesta alcoólica antes do acidente e que o paciente faz uso de antidepressivo para transtorno de ansiedade generalizada, mesmo com abordagem da neurocirurgia, paciente evoluiu a óbito, ao preencher a declaração de óbito deve ser realizada da seguinte forma:

Alternativas

  1. A) Parte I: a. Morte encefálica b. Trauma crânio encefálico c. Pessoa traumatizada em uma colisão entre um automóvel (carro) e um veículo a motor de duas ou três rodas (acidente de trânsito); d. Intoxicação alcoólica.
  2. B) Parte I: a. Morte encefálica b. Trauma crânio encefálico c. Pessoa traumatizada em uma colisão entre um automóvel (carro) e um veículo a motor de duas ou três rodas (acidente de trânsito); d. Intoxicação alcoólica; Parte II: Transtorno de ansiedade generalizada.
  3. C) Parte I: a. Falência de múltiplos órgãos b. Trauma crânio encefálico c. Pessoa traumatizada em uma colisão entre um automóvel (carro) e um veículo a motor de duas ou três rodas (acidente de trânsito); d. Intoxicação alcoólica; Parte II: Transtorno de ansiedade generalizada.
  4. D) Parte I: a. Trauma crânio encefálico b. Pessoa traumatizada em uma colisão entre um automóvel (carro) e um veículo a motor de duas ou três rodas (acidente de trânsito); c. Intoxicação alcoólica; Parte II: Transtorno de ansiedade generalizada.
  5. E) Parte I: a. Trauma crânio encefálico b. Pessoa traumatizada em uma colisão entre um automóvel (carro) e um veículo a motor de duas ou três rodas (acidente de trânsito); c. Intoxicação alcoólica.

Pérola Clínica

DO: Parte I = cadeia causal direta (a→b→c); Parte II = comorbidades não causais diretas. Acidente de trânsito é a causa básica.

Resumo-Chave

O preenchimento da Declaração de Óbito exige a identificação da cadeia de eventos que levou à morte. Em casos de trauma, a causa básica é o evento externo (ex: acidente de trânsito), a causa intermediária é a lesão (ex: TCE) e a causa imediata é a consequência final da lesão. Fatores contribuintes como intoxicação alcoólica são listados na cadeia causal, e comorbidades não diretamente ligadas à morte em Parte II.

Contexto Educacional

O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica de grande importância legal e epidemiológica. É fundamental que o médico compreenda a lógica da cadeia de eventos que culminaram no óbito, diferenciando a causa imediata, intermediária e básica. Em casos de óbito por causas externas, como acidentes de trânsito, a causa básica é o evento externo em si. As lesões decorrentes desse evento (como o trauma crânio encefálico) são as causas intermediárias ou imediatas. Fatores que contribuíram para a ocorrência do evento externo, como a intoxicação alcoólica, devem ser registrados na Parte I, pois fazem parte da sequência causal que levou à morte. Condições mórbidas preexistentes, como o transtorno de ansiedade generalizada, que não estão diretamente ligadas à cadeia de eventos que levou ao óbito, mas podem ter influenciado o estado geral do paciente ou o curso da doença, são registradas na Parte II da DO. A precisão no preenchimento garante dados confiáveis para estatísticas de saúde pública e para a correta compreensão das causas de mortalidade.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre causa imediata e causa básica na DO?

A causa imediata é a doença ou lesão que diretamente causou a morte (ex: hemorragia cerebral), enquanto a causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que levou à morte (ex: acidente de trânsito que causou o trauma).

Onde se registra a intoxicação alcoólica em um óbito por trauma?

A intoxicação alcoólica, se contribuiu para o evento que levou ao trauma (como um acidente), deve ser registrada na Parte I da DO, como uma condição que contribuiu para a causa básica, geralmente na linha 'c' ou 'd' dependendo da complexidade da cadeia.

Como as comorbidades são registradas na Declaração de Óbito?

Comorbidades que contribuíram para o óbito, mas não estão diretamente na cadeia de eventos que levou à morte, são registradas na Parte II da Declaração de Óbito, como o transtorno de ansiedade generalizada neste caso.

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