SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Um paciente de 75 anos de idade, renal crônico dialítico, hipertenso e diabético insulinodependente, foi internado por Covid-19 com dessaturação 88% em ar ambiente na entrada e FR = 25 irpm. Na unidade de internação, evoluiu com piora do padrão respiratório, necessitando de intubação orotraqueal e necessidade de ventilação mecânica invasiva. Após três meses de internação em leito de unidade de terapia intensiva (UTI), o paciente se mantinha com necessidade de ventilação mecânica contínua (acoplada à traqueostomia), com períodos de melhora e de piora clínica, em uso de meropenem, gentamicina e vancomicina para tratamento de uma pneumonia bacteriana associada à ventilação mecânica. Finalmente, após 100 dias de internação, em uma noite, o paciente subitamente apresentou uma parada cardiorrespiratória, não houve sucesso com as manobras de ressuscitação cardiopulmonar, e o paciente veio a falecer. Na UTI, havia um médico diarista que acompanhou o paciente durante todo o período internado, porém a morte ocorreu no período noturno, quando se encontrava somente o médico plantonista, que estava em seu primeiro plantão.Em relação ao preenchimento da declaração de óbito, assinale a alternativa que evidencia a conduta mais adequada.
Causa base da DO = doença que iniciou a cadeia de eventos que levou à morte, mesmo que meses antes (ex: COVID-19).
A causa base da Declaração de Óbito é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que levaram diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. Mesmo que a morte ocorra meses depois, se a COVID-19 foi o evento inicial que desencadeou a internação e as complicações, ela deve ser a causa base.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica fundamental, com implicações legais, epidemiológicas e estatísticas. A DO é um documento oficial que atesta a morte e fornece informações cruciais sobre suas causas, permitindo a análise de tendências de saúde pública e o planejamento de políticas. A compreensão da diferença entre causa imediata, causas intermediárias e causa base é essencial. A causa base é a condição que iniciou a sequência de eventos que culminaram na morte. No caso apresentado, a COVID-19 foi a doença inicial que levou à internação prolongada, à ventilação mecânica e, consequentemente, à pneumonia associada à ventilação (PAV) e à parada cardiorrespiratória. Portanto, mesmo após meses, a COVID-19 permanece como a causa base, pois foi o evento desencadeador. As comorbidades (renal crônico, diabetes, hipertensão) são condições associadas que contribuíram para a gravidade do quadro, mas não a causa inicial da internação e óbito neste cenário. Para residentes, dominar o preenchimento da DO é crucial para a prática médica. É importante lembrar que o médico assistente é o ideal para preencher a DO, mas na sua ausência, o plantonista que constatou o óbito tem essa responsabilidade. A precisão na informação das causas de morte é vital para a saúde pública e para a família do paciente.
A causa base de morte é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que, de forma direta ou indireta, levou à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. É o evento original que desencadeou todo o processo.
A DO deve ser preenchida pelo médico que assistiu o paciente ou, na ausência deste, pelo médico plantonista que constatou o óbito. Em casos de morte natural sem assistência médica ou com causa mal definida, a DO é emitida pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO).
A parada cardiorrespiratória é um evento final comum a diversas condições e não uma doença em si. Ela é a causa imediata da morte, mas não explica a cadeia de eventos que levou a ela. A causa base deve ser a doença ou condição subjacente que resultou na PCR.
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