Preenchimento da Declaração de Óbito: Guia Essencial

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 18 anos, do sexo masculino, motofretista, condutor de motocicleta, sofreu colisão lateral com um veículo do tipo automóvel. Foi levado para o Hospital de Urgência de Goiás onde foi realizado o diagnóstico de fratura fechada de fêmur direito. Ficou hospitalizado durante cinco dias antes de ser submetido a procedimento cirúrgico para fixação do fêmur. Após 24 horas da cirurgia, o paciente apresentou forte dor torácica do lado esquerdo e dispneia aguda. Fez raio X e tomografia de urgência que mostraram quadro radiológico de colabamento do pulmão esquerdo, tendo diagnóstico compatível com embolia pulmonar. Foi medicado para a embolia com anticoagulantes, porém a insuficiência respiratória agravou, levando a uma parada cardiorrespiratória. Foram realizadas manobras de ressuscitação cardiopulmonar sem êxito. A Declaração de Óbito do referido paciente deve ser preenchida da seguinte forma:

Alternativas

  1. A) Parte I: Linha a: insuficiência respiratória aguda; linha b: embolia pulmonar, linha c: fratura de fêmur direito; linha d: colisão lateral de motocicleta com automóvel. Parte II: em branco.
  2. B) Parte I: Linha a: insuficiência respiratória aguda; linha b: embolia pulmonar; linha c: fratura de fêmur direito; Linha d: em branco. Parte II: colisão lateral de motocicleta com automóvel.
  3. C) Parte I: Linha a: fratura de fêmur direito; Linha b: insuficiência respiratória, Linha c: embolia aguda pulmonar; Linha d: desidratação. Parte II: em branco.
  4. D) Parte I: Linha a: colisão lateral de motocicleta com automóvel; Linha b: fratura de fêmur direito; Linha c: embolia pulmonar; Linha d: septicemia. Parte II: em branco.

Pérola Clínica

Declaração de Óbito: Linha 'a' causa imediata, 'b' intermediária, 'c' básica. Causa externa na 'd' ou Parte II.

Resumo-Chave

O preenchimento da Declaração de Óbito segue a lógica da cadeia de eventos que levou à morte, do mais recente (causa imediata) ao mais antigo (causa básica). A causa externa, se presente, deve ser registrada na linha 'd' da Parte I ou na Parte II, dependendo da sua relação direta com a causa básica.

Contexto Educacional

O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica crucial, com implicações legais, epidemiológicas e de saúde pública. A DO é um documento oficial que atesta o falecimento e fornece dados essenciais para estatísticas de mortalidade, planejamento de saúde e investigações. A Parte I da DO descreve a cadeia de eventos que levaram à morte, do mais recente ao mais antigo, culminando na causa básica. A cadeia de eventos deve ser lógica e sequencial. A linha 'a' registra a causa imediata (condição final que levou à morte), a linha 'b' a causa intermediária (condição que levou à 'a'), e a linha 'c' a causa básica (doença ou lesão que iniciou a cadeia). No caso de causas externas, como acidentes, a lesão resultante (ex: fratura de fêmur) é a causa básica, e o evento externo (ex: colisão) é registrado na linha 'd' da Parte I, indicando a circunstância da lesão. A embolia pulmonar é uma complicação comum e grave de fraturas de ossos longos e imobilização prolongada, como a fratura de fêmur. Neste caso, a fratura (causa básica) levou à embolia pulmonar (causa intermediária), que resultou em insuficiência respiratória aguda e, consequentemente, na parada cardiorrespiratória (causa imediata). O acidente de motocicleta é a circunstância externa que causou a fratura, sendo corretamente alocado na linha 'd'.

Perguntas Frequentes

O que é a causa básica de óbito?

A causa básica de óbito é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que levaram diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal.

Como se preenche a Parte I da Declaração de Óbito?

A Parte I é preenchida em ordem cronológica inversa: Linha 'a' (causa imediata), Linha 'b' (causa intermediária), Linha 'c' (causa básica). A Linha 'd' é para a causa externa, se esta for a causa básica.

Quando a causa externa deve ser registrada na Parte II?

A causa externa é registrada na Parte II quando ela não é a causa básica da morte, mas contribuiu para o óbito sem iniciar a cadeia de eventos patológicos que o levaram. No caso de trauma, a lesão traumática é a causa básica e a causa externa (acidente) vai na linha 'd'.

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