Declaração de Óbito: Preenchimento Correto das Causas

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente feminina, 65 anos de idade, com queixa de cefaleia intensa e súbita, foi levada pelos familiares ao hospital, onde faleceu 4 horas após o início do quadro, com diagnóstico de acidente vascular encefálico hemorrágico. Apresentava obesidade mórbida desde 25 anos e hipertensão arterial desde 40 anos, acidente vascular encefálico com recuperação parcial há 8 meses. Há 1 ano, foi submetida a pan-histerectomia, seguida de quimio e radioterapia, por adenocarcinoma do colo uterino. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a opção mais adequada para o preenchimento das “causas da morte” na Declaração de Óbito.

Alternativas

  1. A) I.a. acidente vascular encefálico hemorrágico – 4 horas; I.b. adenocarcinoma do colo uterino – 1 ano; I.c. hipertensão arterial sistêmica – 21 anos; I.d. obesidade mórbida – 36 anos.
  2. B) I.a. obesidade mórbida – 36 anos; I.b. hipertensão arterial sistêmica – 21 anos; I.c. adenocarcinoma do colo uterino – 1 ano; I.d. acidente vascular encefálico hemorrágico – 4 horas.
  3. C) I.a. hipertensão arterial sistêmica – 21 anos; I.b. acidente vascular encefálico hemorrágico – 4 horas; I.c. obesidade mórbida – 36 anos; II. adenocarcinoma do colo uterino – 1 ano.
  4. D) I.a. hipertensão arterial sistêmica – 21 anos; I.b. acidente vascular encefálico hemorrágico – 4 horas; II. obesidade mórbida – 36 anos; II. adenocarcinoma do colo uterino – 1 ano.
  5. E) I.a. acidente vascular encefálico hemorrágico – 4 horas; I.b. hipertensão arterial sistêmica – 21 anos; II. adenocarcinoma do colo uterino – 1 ano; II. obesidade mórbida – 36 anos.

Pérola Clínica

DO: preencher causas de morte em sequência lógica (I.a imediata → I.b antecedente → I.c causa básica).

Resumo-Chave

O preenchimento da Declaração de Óbito (DO) segue uma lógica de cadeia de eventos que levou à morte. A parte I deve conter a sequência de eventos que culminaram no óbito, começando pela causa imediata (I.a) e retrocedendo até a causa básica (I.d), que iniciou a cadeia. Condições que contribuíram, mas não fazem parte da cadeia causal direta, vão na Parte II.

Contexto Educacional

O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica de grande importância, não apenas legal, mas também para a saúde pública, pois os dados coletados são a base das estatísticas de mortalidade. A DO é dividida em duas partes principais para as causas da morte. A Parte I destina-se à cadeia de eventos que levou diretamente ao óbito, preenchida em ordem cronológica inversa da ocorrência dos eventos. A alternativa A, que é o gabarito, apresenta a seguinte sequência: I.a. Acidente Vascular Encefálico Hemorrágico (causa imediata da morte); I.b. Adenocarcinoma do colo uterino (considerado como uma condição antecedente que, de alguma forma, levou ao AVE hemorrágico, possivelmente por metástase cerebral hemorrágica ou coagulopatia associada ao câncer/tratamento); I.c. Hipertensão Arterial Sistêmica (listada como antecedente, contribuindo para a patogênese do AVE hemorrágico); e I.d. Obesidade Mórbida (considerada a causa básica, por ser fator de risco para a hipertensão arterial sistêmica). Para residentes, é crucial compreender a lógica de preenchimento da DO, que busca estabelecer a sequência de eventos que culminaram na morte. Embora a relação direta entre adenocarcinoma e AVE hemorrágico primário possa ser complexa e exigir mais detalhes clínicos, a questão avalia a capacidade de ordenar as condições de forma regressiva, da causa imediata à causa básica, conforme a estrutura da DO.

Perguntas Frequentes

Como preencher a Parte I da Declaração de Óbito?

A Parte I deve descrever a sequência de eventos que levaram diretamente à morte, em ordem regressiva. Começa com a causa imediata (I.a), seguida pelas causas antecedentes (I.b, I.c, etc.), até chegar à causa básica da morte, que iniciou a cadeia.

O que deve ser incluído na Parte II da Declaração de Óbito?

A Parte II destina-se a outras condições significativas que contribuíram para a morte, mas que não faziam parte da cadeia causal direta que levou ao óbito, como comorbidades ou fatores de risco não diretamente ligados à sequência fatal.

Qual a importância da causa básica de morte?

A causa básica de morte é fundamental para as estatísticas de saúde pública, pois permite identificar as doenças e condições que realmente iniciam a cadeia de eventos fatais, orientando políticas de prevenção e controle e alocação de recursos.

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