UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2018
Mulher, 75 anos, com HAS; diabetes mellitus tipo II; fibrilação atrial; insuficiência renal crônica. Relata hematoquezia; constipação intestinal; dor em fossa ilíaca direita, há dois meses. Exame físico: dor abdominal de forte intensidade e irritação peritoneal difusa. Foi realizada laparotomia exploradora de emergência, cujo inventário mostrou grande quantidade de fezes e pus livre na cavidade abdominal. Observou-se no perioperatório: perfuração em retossigmoide, alguns divertículos e processo inflamatório intenso com importante encurtamento de alça afetada. Foi realizada lavagem exaustiva da cavidade, retossigmoidectomia à Hartmann. Ao término da cirurgia, foi encaminhada ao CTI, mantida em prótese ventilatória com uso de aminas vasoativas e antibioticoterapia de largo espectro. Evolui nas primeiras 24 horas com hipotensão mantida, débito urinário protraído, choque refratário e óbito. Na PARTE II da Declaração de Óbito, deve-se registrar:
Parte II Declaração de Óbito: comorbidades que contribuíram, mas não na sequência causal direta.
A Declaração de Óbito é dividida em Parte I (sequência de eventos que levaram diretamente à morte) e Parte II (outras condições significativas que contribuíram para o óbito, mas que não fazem parte da cadeia causal direta). Comorbidades crônicas como diabetes e insuficiência renal, que aumentam a vulnerabilidade do paciente, são exemplos clássicos de condições a serem registradas na Parte II.
O preenchimento da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica crucial, com implicações legais, éticas e epidemiológicas. A DO é dividida em duas partes principais, e a correta distinção entre elas é essencial para a qualidade dos dados de mortalidade. A Parte I destina-se à sequência de eventos que levaram diretamente à morte, começando pela causa imediata e retrocedendo até a causa básica, que é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos. A Parte II, por sua vez, é reservada para "outras condições significativas que contribuíram para a morte, mas que não estavam relacionadas à doença ou condição que causou diretamente a morte". Isso inclui comorbidades preexistentes que, embora não sejam a causa básica, agravaram o estado de saúde do paciente e influenciaram negativamente o prognóstico. No caso da questão, o diabetes mellitus tipo II e a insuficiência renal crônica são exemplos clássicos de condições que, embora não tenham causado a perfuração intestinal, certamente contribuíram para a gravidade do choque séptico e a falha terapêutica. A precisão no preenchimento da DO é vital para a saúde pública, pois permite a análise das tendências de mortalidade, a identificação de problemas de saúde prevalentes e a avaliação da eficácia das intervenções. Residentes devem dominar essa habilidade para garantir a fidedignidade dos dados e cumprir com suas responsabilidades profissionais.
A Parte I descreve a sequência de eventos patológicos que levaram diretamente à morte, começando pela causa imediata e retrocedendo até a causa básica. A Parte II registra outras condições preexistentes que contribuíram para o óbito, mas que não estão na cadeia causal direta da Parte I.
São doenças ou condições crônicas que o paciente possuía e que, embora não tenham sido a causa direta da morte, agravaram o quadro clínico e diminuíram a capacidade de recuperação, como diabetes, hipertensão, insuficiência renal crônica, cardiopatias, etc.
O preenchimento correto é fundamental para a obtenção de dados epidemiológicos precisos sobre as causas de mortalidade, auxiliando no planejamento de políticas de saúde pública e na pesquisa médica.
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