Declaração de Óbito: Morte Violenta e Responsabilidade Médica

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Você é o médico responsável pelo seguimento de um paciente jovem do sexo masculino, 28 anos usuário crônico de álcool desde os 12, há meses atendido no serviço de saúde, sem sucesso na manutenção da abstinência alcoólica. Por diversas vezes comparecia às consultas com marcas de agressão física, uma vez que dizia “não levar desaforo para casa”. Em uma manhã, ao chegar na UBS, você é informado por uma de suas agentes comunitárias de saúde que o paciente foi encontrado morto na sala de sua casa após 3 dias em estado de embriaguez. Diante disso, e levando-se em conta que você é o médico assistente, você:

Alternativas

  1. A) Não deve preencher a DO, já que não examinou o corpo e nem conhece a história do falecido.
  2. B) Deve prontamente preencher a DO, já que examinou o corpo e conhece a história do falecido.
  3. C) Não deve preencher a DO, por existir a suspeita de morte violenta, já que o falecido se encontrava em estado vulnerável.
  4. D) Não deve preencher a DO, por ser uma obrigação exclusiva do médico legista.

Pérola Clínica

Suspeita de morte violenta ou causa indeterminada → NÃO preencher DO, encaminhar ao IML.

Resumo-Chave

O médico assistente não deve preencher a Declaração de Óbito (DO) em casos de morte violenta ou suspeita, mesmo que conheça o histórico do paciente. Nesses casos, a responsabilidade é do Instituto Médico Legal (IML), que realizará a necropsia para determinar a causa da morte.

Contexto Educacional

A Declaração de Óbito (DO) é um documento oficial e de suma importância para o registro civil e para as estatísticas de saúde. O preenchimento correto da DO é uma responsabilidade médica e segue diretrizes específicas. O médico assistente é o profissional ideal para preencher a DO quando a morte é natural e ele acompanhou o paciente, conhecendo a evolução da doença e a causa do óbito. No entanto, existem situações em que o médico assistente não deve preencher a DO. Uma das principais exceções é a morte violenta ou suspeita. Morte violenta inclui homicídios, suicídios e acidentes. Morte suspeita refere-se a óbitos cuja causa não pode ser determinada com clareza pelo médico que examina o corpo, ou quando há indícios de que a morte não foi natural, mesmo que não haja sinais óbvios de violência. Nesses casos, a prioridade é a investigação da causa da morte. Diante de uma morte violenta ou suspeita, o corpo deve ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). O médico legista do IML é o responsável por realizar a necropsia para determinar a causa e a natureza da morte, e somente após essa investigação ele poderá preencher a Declaração de Óbito. Mesmo que o médico assistente conheça o histórico do paciente e suspeite de uma causa natural, a presença de indícios de violência ou a impossibilidade de determinar a causa com certeza exigem a intervenção do IML para garantir a correta apuração dos fatos.

Perguntas Frequentes

Quando o médico assistente pode preencher a Declaração de Óbito?

O médico assistente pode preencher a DO quando a morte é natural e ele acompanhou o paciente, conhecendo a causa do óbito, ou quando, mesmo sem acompanhamento, ele examina o corpo e consegue determinar a causa natural da morte.

Quais situações exigem o encaminhamento do corpo ao IML?

O encaminhamento ao IML é obrigatório em casos de morte violenta (homicídio, suicídio, acidente), morte suspeita (causa indeterminada, mesmo que aparentemente natural, mas sem acompanhamento médico recente) ou morte natural de pessoa não identificada.

Qual a diferença entre morte natural e morte violenta para fins de DO?

Morte natural é aquela decorrente de doenças ou processos fisiológicos. Morte violenta é aquela causada por fatores externos, como traumas, intoxicações, acidentes, homicídios ou suicídios. A distinção é crucial para determinar quem preenche a DO.

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