Declaração de Óbito: Preenchimento Correto da Causa da Morte

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2017

Enunciado

Paciente G. G. D., 65 anos de idade, sexo masculino, portador de doença de Chagas com comprometimento cardíaco, é admitido com histórico de distensão progressiva do abdome. Relata que, há dois dias, vem apresentando fraqueza intensa, febre não aferida e dor abdominal intensa. Apresenta-se obstipado há três dias, com diagnóstico prévio de megacólon há dois anos, O examinador percebe, às 7h15min, intensa diaforese e hipotensão (60 mmHg x 40 mmHg), solicitando hemograma e bioquímica, bem como exame radiográfico de abdome. Na imagem do abdome, percebe-se sinal do grão de café e piora infecciosa significativa. O médico efetua escalonamento de antibióticos, otimiza drogas vasoativas e comunica a equipe de cirurgia. Às 12h, sobrevém parada cardiorrespiratória após insucesso nas manobras de ressuscitação, sendo o óbito constatado às 12h20min. Com base no caso exposto, assinale a alternativa que apresenta o preenchimento correto da linha A da parte 1 da declaração de óbito.

Alternativas

  1. A) Parada cardiorrespiratória
  2. B) Peritonite aguda
  3. C) Megacólon chagásico crônico.
  4. D) Choque séptico
  5. E) Volvo de sigmoide

Pérola Clínica

Declaração de óbito, Linha A → Causa imediata da morte, não o mecanismo final (PCR).

Resumo-Chave

A linha A da parte 1 da declaração de óbito deve conter a causa imediata da morte, ou seja, a doença ou lesão que diretamente levou à morte. No caso, a parada cardiorrespiratória é o mecanismo final, mas o choque séptico, decorrente da piora infecciosa e peritonite por volvo de sigmoide em megacólon chagásico, foi a condição que culminou na PCR.

Contexto Educacional

A declaração de óbito é um documento médico-legal de extrema importância, tanto para fins estatísticos de saúde pública quanto para questões jurídicas e sociais. Seu preenchimento correto exige a compreensão da cadeia de eventos que levou ao óbito, distinguindo entre a causa imediata, as causas intermediárias e a causa básica. A Parte 1 da declaração de óbito é destinada a registrar essa sequência, começando pela causa imediata (Linha A) e retrocedendo até a causa básica. No caso clínico apresentado, o paciente com megacólon chagásico desenvolveu um volvo de sigmoide, que é uma complicação grave caracterizada pela torção do intestino sobre seu próprio mesentério, levando à obstrução e isquemia. A 'piora infecciosa significativa' e o 'sinal do grão de café' (típico de volvo de sigmoide) indicam um quadro de peritonite e sepse abdominal. A hipotensão refratária (60x40 mmHg) e a diaforese são manifestações clássicas de choque, e o escalonamento de antibióticos e otimização de drogas vasoativas confirmam o manejo de um choque séptico. Portanto, a causa imediata que levou à parada cardiorrespiratória (mecanismo final) foi o choque séptico, decorrente da sepse abdominal causada pela complicação do megacólon chagásico. É fundamental que o médico preencha a Linha A com a condição que diretamente precedeu a morte, e não com o evento terminal como a parada cardiorrespiratória, que é um desfecho comum a diversas causas.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre causa imediata e causa básica de morte na declaração de óbito?

A causa imediata é a doença ou lesão que diretamente levou à morte (Linha A). A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que resultou na morte, sem a qual a morte não teria ocorrido (última linha da Parte 1). A PCR é um mecanismo, não uma causa.

Como o megacólon chagásico pode levar ao choque séptico?

O megacólon chagásico predispõe a complicações como o volvo de sigmoide, que pode causar obstrução intestinal e isquemia. A isquemia e necrose da parede intestinal levam à translocação bacteriana, perfuração e peritonite, culminando em sepse e choque séptico.

Quais são os sinais de alerta de um volvo de sigmoide em paciente com megacólon?

Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e progressiva, distensão abdominal, obstipação, náuseas e vômitos. Em casos avançados, pode haver sinais de isquemia intestinal, como febre, taquicardia, hipotensão e sinais de peritonite, indicando urgência cirúrgica.

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