HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2025
Lurdes, 75 anos, mulher cis, branca, tabagista, cerca de 50 anos-maço, com queixa de dispneia progressivamente pior ao longo dos últimos meses. Sua prova de função pulmonar mostrava relação VEF1/CVF diminuída (< 0.5), sem alteração da relação após prova com broncodilatador. Nos últimos meses, teve 2 internações. Há 1 dia, apresenta febre e piora da tosse e dispineia. Ao exame físico, no pronto-socorro, apresenta-se taquidispineica, saturação de 77% em ar ambiente, murmúrios vesiculares presentes, exceto em base pulmonar esquerda. A radiografia de tórax mostrou arcos costais e cúpulas diafragmáticas retificados, além de consolidação em base pulmonar esquerda. O quadro clínico evoluí para sepse, a paciente entra em parada cardiorrespiratória e óbito. Com base no quadro clínico hipotético descrito acima e considerando o preenchimento adequado da Declaração de Óbito, assinale a alternativa correta.
DPOC + Tabagismo → Pneumonia → IRA → Sepse/PCR. Causa básica = DPOC e Tabagismo.
A Declaração de Óbito deve seguir a sequência fisiopatológica dos eventos que levaram ao óbito. A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos, não o evento terminal como a parada cardiorrespiratória.
A Declaração de Óbito é um documento legal e epidemiológico crucial, cujo preenchimento correto é vital para as estatísticas de saúde pública e para a compreensão dos padrões de mortalidade. A causa básica é definida como a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que conduziram diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. Em casos de doenças crônicas como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), exacerbadas por condições agudas como pneumonia, é fundamental identificar a doença de base como a causa original. A pneumonia bacteriana e a insuficiência respiratória aguda são complicações diretas da DPOC, que por sua vez é causada pelo tabagismo. A sequência fisiopatológica deve ser respeitada, com a causa básica sendo a condição mais remota que iniciou todo o processo. O erro comum é listar a parada cardiorrespiratória como causa básica, quando na verdade é um evento terminal. A compreensão da fisiopatologia da DPOC, suas exacerbações e complicações é essencial para o preenchimento adequado, garantindo que os dados de mortalidade reflitam a realidade das doenças crônicas e seus fatores de risco. Este conhecimento é indispensável para residentes e estudantes de medicina.
A causa básica é fundamental para as estatísticas de saúde pública, indicando a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que levou à morte, permitindo o planejamento de políticas de saúde.
A causa básica é a doença original que desencadeou todo o processo. As causas intermediárias são as condições que surgem como consequência da causa básica e levam à causa terminal, que é o evento final e imediato da morte.
O diagnóstico de DPOC é clínico (dispneia, tosse crônica) e funcional, confirmado pela espirometria com relação VEF1/CVF diminuída (< 0.7 ou < 0.5 em idosos) e não reversível após broncodilatador, associado a histórico de tabagismo ou exposição a fatores de risco.
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