Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2016
Paciente diabético, é atendido por plantonista no pronto socorro com quadro de vômitos sanguinolentos há quatro horas. Há duas horas com tonturas e desmaios. Ao exame físico, descorado +++/4+, e PA de 0 mmHg. A família conta que paciente é portador de Esquistossomose mansônica há 5 anos, e que 2 anos atrás esteve internado, neste hospital com vômitos de sangue, e recebeu alta com diagnóstico de varizes de esôfago após exame endoscópico (sic). Duas horas após admissão apresentou parada cardio respiratória e teve o óbito verificado pelo médico plantonista, após o insucesso das manobras de reanimação. Neste caso, a parte I do Atestado Médico da Declaração de Óbito deve ser assim preenchida:
Preenchimento DO Parte I: I (imediata) ← II (antecedente) ← III (antecedente) ← IV (básica).
O preenchimento da Parte I da Declaração de Óbito segue uma lógica de causalidade reversa, começando pela causa imediata da morte (o evento final que levou ao óbito) e retrocedendo até a causa básica (a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos). No caso, a esquistossomose levou à hipertensão portal, que causou as varizes, que romperam, levando ao choque e, finalmente, à parada cardiorrespiratória.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica crucial, com implicações legais, epidemiológicas e de saúde pública. A Parte I da DO destina-se a registrar a sequência de eventos mórbidos que levaram diretamente à morte, começando pela causa imediata (linha I) e retrocedendo até a causa básica (linha IV), que é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos. A precisão nesse preenchimento é vital para as estatísticas de mortalidade e para o planejamento de políticas de saúde. No caso clínico apresentado, a esquistossomose mansônica é a causa básica, pois desencadeou a hipertensão portal. Esta, por sua vez, levou à formação de varizes esofágicas, que se romperam, causando uma hemorragia digestiva alta maciça. A perda volêmica resultou em choque hipovolêmico, que é a causa imediata da morte, culminando em parada cardiorrespiratória (o mecanismo final da morte, não uma causa a ser registrada na Parte I). É fundamental diferenciar a causa da morte do mecanismo da morte. Para residentes, a prática de preencher a DO é um aprendizado essencial. Erros comuns incluem registrar o mecanismo da morte como causa (ex: parada cardiorrespiratória), ou não estabelecer a sequência lógica de causalidade. A compreensão da fisiopatologia das doenças e sua progressão é indispensável para um preenchimento acurado, garantindo que os dados de mortalidade reflitam a realidade epidemiológica e auxiliem na prevenção e controle de doenças.
A causa imediata é a doença ou lesão que diretamente levou à morte, enquanto a causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que, sem interrupção, levou ao óbito.
Deve-se seguir a sequência: I - Choque hipovolêmico (causa imediata); II - Ruptura de varizes esofageanas; III - Hipertensão portal; IV - Doença de base (ex: Esquistossomose), como causa básica.
A parada cardiorrespiratória é o mecanismo final da morte, ou seja, o evento fisiológico que culmina no óbito, mas não a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos. Ela é uma consequência das causas subjacentes.
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