UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2017
O Sr. JMF, pedreiro aposentado, tinha 50 anos quando procurou, pela primeira vez, o serviço de saúde. Havia caído do andaime da construção civil onde trabalhava e sofreu fratura exposta de tíbia esquerda, cujo tratamento cirúrgico e imobilização não resultaram em sucesso. Evoluiu com osteomielite crônica que não respondeu bem ao tratamento antimicrobiano e permaneceu, durante todo o resto de sua vida, com uma extensa úlcera de perna esquerda, constantemente infectada e dolorosa. Impossibilitado de trabalhar, foi aposentado por invalidez aos 60 anos, já tendo diagnósticos adicionais de hipertensão arterial e diabetes melito. Mantinha sua pressão arterial e glicemias bem controladas com captopril, glibenclamida e metformina. Quando completou 70 anos, deu entrada no hospital regional com febre e calafrios, além de descompensação do diabetes melito (glicemia = 400 mg/dL). A úlcera da perna esquerda mostrava volumosa secreção purulenta e extensa celulite adjacente. Após 48 horas, evoluiu com sepsis, síndrome de angústia respiratória e choque. Parada cardiorrespiratória foi constatada no dia seguinte.Considerando as informações clínicas e evolutivas do Sr. JMF, preencha, de forma correta, o bloco VI da declaração de seu óbito. (Conforme imagem )
Causa básica = doença ou lesão que iniciou a sucessão de eventos mórbidos que levaram à morte.
O preenchimento da DO deve seguir uma ordem lógica: a causa terminal no topo (linha A) e a causa básica (evento inicial) na última linha preenchida da Parte I.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é fundamental para as estatísticas de saúde pública e vigilância epidemiológica. O Bloco VI é o coração do documento, onde o médico descreve a fisiopatologia do óbito. A 'Causa Básica' é definida pela OMS como a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. No caso clínico apresentado, a jornada do paciente começou com um acidente de trabalho (fratura de tíbia), evoluindo para osteomielite crônica, infecção secundária e, finalmente, sepse e choque. O raciocínio clínico deve conectar esses pontos de forma cronológica e causal.
A Parte I destina-se à causa terminal (linha A), às causas intermediárias (linhas B e C) e à causa básica (linha D). A sequência deve ser lida de cima para baixo como 'devido a', partindo do evento final até a doença ou lesão que iniciou o processo. No caso do Sr. JMF, a causa terminal foi o choque/sepse, decorrente da celulite/osteomielite, que por sua vez foi causada pela fratura exposta de tíbia.
A Parte I contém a sequência direta de eventos que levou à morte. A Parte II é reservada para estados patológicos significativos que contribuíram para a morte, mas que não entraram na sequência direta da Parte I. No exemplo, o Diabetes Melito descompensado poderia figurar na Parte II, pois embora não tenha causado a osteomielite, dificultou a cicatrização e favoreceu a infecção.
Em casos de morte por causas externas (acidentes, homicídios, suicídios), mesmo que o óbito ocorra muito tempo após o evento inicial (como uma complicação tardia de fratura), a competência para o preenchimento da DO é do Instituto Médico Legal (IML), conforme as normas de vigilância epidemiológica e medicina legal brasileiras.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo