USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem, 70 anos, desenvolveu quadro pneumônico e insuficiência respiratória com necessidade de ventilação mecânica e cuidados de terapia intensiva. Após 7 dias foi submetido à traqueostomia em segundo anel traqueal. Com relação à traqueostomia, qual a alternativa correta?
Decanulação segura: oclusão da cânula por 24h para testar via aérea, seguida de retirada e fechamento da fístula com curativo.
A decanulação da traqueostomia é um processo gradual que exige avaliação da via aérea superior. O teste de oclusão da cânula por 24 horas é fundamental para garantir que o paciente consiga respirar adequadamente pela via aérea natural. Após a retirada, a fístula traqueocutânea geralmente fecha espontaneamente ou com auxílio de curativo oclusivo.
A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma abertura na traqueia, inserindo uma cânula para estabelecer uma via aérea alternativa. É frequentemente indicada em pacientes com necessidade de ventilação mecânica prolongada, obstrução de via aérea superior ou para proteção contra aspiração. O manejo adequado da traqueostomia, desde a escolha da cânula até o processo de decanulação, é crucial para a segurança e o bem-estar do paciente, sendo um tema relevante para a prática clínica e para provas de residência médica. Durante a ventilação mecânica, é fundamental o uso de cânulas com 'cuff' (balonete) para garantir o selamento da via aérea, evitando o escape de ar e a aspiração de secreções. No entanto, o 'cuff' deve ser insuflado com a menor pressão possível (pressão de oclusão mínima) para evitar isquemia da parede traqueal e complicações como estenose. Cânulas plásticas são geralmente mais confortáveis e de fácil manuseio que as metálicas, mas a escolha depende da fase do tratamento e das necessidades do paciente. A localização da traqueostomia, classicamente entre o segundo e terceiro anéis traqueais, é segura e visa evitar lesões na cartilagem cricoide, que poderiam levar à estenose subglótica. O processo de decanulação é a retirada da cânula de traqueostomia e deve ser realizado de forma gradual e segura. Antes da decanulação, o paciente deve ser capaz de manter a via aérea permeável, tossir eficazmente e deglutir sem aspiração. Um passo essencial é o teste de oclusão da cânula por um período (geralmente 24 horas), para confirmar que o paciente consegue respirar adequadamente pela via aérea superior. Após a retirada da cânula, a fístula traqueocutânea (o orifício no pescoço) geralmente fecha espontaneamente em alguns dias ou semanas, podendo ser auxiliada por um curativo oclusivo. A alternativa C está correta, pois descreve um procedimento adequado para a decanulação.
As principais indicações para traqueostomia incluem obstrução de via aérea superior, necessidade de ventilação mecânica prolongada (geralmente > 7-14 dias), proteção da via aérea em pacientes com risco de aspiração e para facilitar a remoção de secreções brônquicas em pacientes com tosse ineficaz.
Cânulas com 'cuff' (balonete) são usadas para selar a via aérea, impedindo o escape de ar e a aspiração, sendo essenciais em pacientes em ventilação mecânica. Cânulas sem 'cuff' são indicadas para pacientes que não necessitam de ventilação mecânica ou proteção contra aspiração, permitindo a fala e a deglutição, e são usadas na fase de decanulação.
A decanulação é um processo gradual que envolve a avaliação da via aérea superior, redução progressiva do diâmetro da cânula ou uso de cânulas fenestradas, e o teste de oclusão da cânula por 24 horas para verificar a capacidade do paciente de respirar pela via aérea natural. Após a retirada, a fístula traqueocutânea geralmente fecha espontaneamente ou com curativo oclusivo.
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