UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Homem, 44 anos, está em UTI por quadro de pneumonia, em ventilação mecânica há 7 dias e foi realizado traqueostomia há 24h, durante o banho no leito, saiu a cânula da traqueostomia e o paciente evoluiu com insuficiência respiratória. A melhor conduta, nesse caso, é:
Decanulação precoce (< 7 dias) → Não recanular às cegas → Intubação Orotraqueal imediata.
Em traqueostomias com menos de 7-10 dias, o trajeto não está epitelizado. Tentar a recanulação às cegas pode criar um falso trajeto fatal; a IOT é a via mais segura.
A decanulação acidental é uma das complicações mais temidas em pacientes traqueostomizados na UTI. O ponto crítico desta questão é o tempo decorrido desde o procedimento (24 horas), o que caracteriza uma traqueostomia precoce com estoma imaturo. Nestes casos, os planos teciduais cervicais ainda estão soltos e a tentativa de reinserção da cânula pelo orifício externo frequentemente resulta em posicionamento extratraqueal. A prioridade absoluta é garantir a oxigenação e ventilação. A intubação orotraqueal (IOT) é a conduta de escolha porque ignora o estoma instável e garante uma via aérea definitiva e segura. A cricotireoidostomia ou nova traqueostomia são medidas de exceção, reservadas para quando a IOT e a ventilação por máscara falham, seguindo o algoritmo de 'via aérea difícil'.
Em traqueostomias realizadas há menos de 7 a 10 dias, o trajeto entre a pele e a traqueia ainda não está maduro ou epitelizado. Tentar reinserir a cânula às cegas pode facilmente deslocar os tecidos moles pré-traqueais, criando um falso trajeto. Isso posiciona a cânula no espaço mediastinal ou paratraqueal, impossibilitando a ventilação e agravando rapidamente a insuficiência respiratória do paciente, podendo levar ao óbito por asfixia iatrogênica.
Caso a intubação orotraqueal (IOT) seja impossível, deve-se tentar a ventilação com bolsa-válvula-máscara (BVM), preferencialmente ocluindo o estoma cervical para evitar escape de ar. Se a ventilação não for eficaz, a próxima etapa envolve a tentativa de reinserção da cânula sob visão direta (laringoscopia ou broncoscopia) ou a realização de uma nova via aérea cirúrgica de emergência, como a cricotireoidostomia, por equipe treinada.
O trajeto é considerado maduro, ou 'formado', geralmente após 7 a 10 dias do procedimento cirúrgico. Nesse período, ocorre a cicatrização e a formação de um túnel fibrótico estável entre a traqueia e a pele. Somente após essa maturação é que as trocas de cânula podem ser realizadas com segurança à beira leito, embora a primeira troca costume ser feita sob supervisão cuidadosa para garantir a patência do trajeto.
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