Daptomicina na Endocardite por MRSA: Indicações e Uso

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher de 60 anos, pesando 82 kg está internada na enfermaria e recebendo a seguinte prescrição médica: - Dieta oral branda; - Sinais vitais 4/4h; - Soro fisiológico 0,9% 1000 ml IV nas 24h; - Dapatomicina 500mg IV 1x ao dia; - Heparina 5000 UI SC 12/12h; - Dipirona 1g IV até 4/4h SOS. Para qual das situações abaixo esta prescrição deveria, idealmente, ser usada?

Alternativas

  1. A) Endocardite por Staphylococcus aureus resistente à oxacilina em paciente alérgico à glicopeptídicos e com clearence da creatinina de 20ml/minuto.
  2. B) Endocardite por Staphylococcus aureus sensivel à oxacilina em paciente alérgico à glicopeptídicos e com clearence da creatinina de 50ml/minuto.
  3. C) Endocardite por Staphylococcus aureus resistente à oxacilina em paciente não alérgico a glicopeptídico e com clearence da creatinina de 50ml/minuto.
  4. D) Endocardite por Staphylococcus aureus resistente à oxacilina em paciente alérgico à glicopeptídicos e com clearence da creatinina de 50ml/minuto.
  5. E) Endocardite por Staphylococcus aureus sensível à oxacilina em paciente alérgico à glicopeptídicos e com clearence da creatinina de 20ml/minuto.

Pérola Clínica

Daptomicina é opção para endocardite por MRSA em alérgicos a glicopeptídicos e função renal preservada.

Resumo-Chave

A daptomicina é um antibiótico bactericida eficaz contra Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA), sendo uma excelente alternativa para pacientes alérgicos a glicopeptídicos (como vancomicina). Sua dose padrão é 6 mg/kg/dia para endocardite, e requer ajuste em insuficiência renal grave (ClCr < 30 mL/min), mas não para ClCr de 50 mL/min.

Contexto Educacional

A endocardite infecciosa é uma condição grave que requer tratamento antimicrobiano prolongado e eficaz. O Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA) é um patógeno comum e desafiador no tratamento da endocardite, exigindo antibióticos específicos. A vancomicina é a terapia de primeira linha para MRSA, mas em casos de alergia a glicopeptídicos ou falha terapêutica, alternativas são necessárias. A daptomicina é um lipopeptídeo cíclico com potente atividade bactericida dependente da concentração contra bactérias Gram-positivas, incluindo MRSA. É uma excelente opção para endocardite por MRSA, especialmente em pacientes com alergia conhecida a glicopeptídicos. A dose para endocardite é tipicamente de 6 mg/kg uma vez ao dia, e sua eficácia é comparável à vancomicina em muitos cenários. É crucial considerar a função renal ao prescrever daptomicina. Embora não seja nefrotóxica como a vancomicina, sua excreção é renal, e ajustes de dose são necessários em pacientes com clearence de creatinina < 30 mL/min (geralmente a cada 48 horas). No caso apresentado, com ClCr de 50 mL/min, o ajuste não seria necessário, tornando a daptomicina uma escolha ideal para a situação de endocardite por MRSA em paciente alérgico a glicopeptídicos.

Perguntas Frequentes

Quando a daptomicina é indicada para endocardite?

A daptomicina é indicada para endocardite causada por bactérias Gram-positivas, especialmente Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA), particularmente em pacientes com alergia ou intolerância a glicopeptídicos como a vancomicina.

A daptomicina precisa de ajuste de dose em pacientes com insuficiência renal?

Sim, a daptomicina requer ajuste de dose (geralmente para dias alternados) em pacientes com insuficiência renal grave, ou seja, com clearence de creatinina < 30 mL/min. Para ClCr > 30 mL/min, o ajuste não é rotineiramente necessário.

Quais são as principais vantagens da daptomicina sobre a vancomicina para MRSA?

A daptomicina é bactericida, enquanto a vancomicina é bacteriostática/bactericida dependendo da cepa. A daptomicina não é nefrotóxica como a vancomicina e é uma opção para pacientes com alergia a glicopeptídicos.

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