FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
A administração de dapagliflozina em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida demonstrou redução de hospitalização por descompensação da síndrome, da mortalidade cardiovascular e da mortalidade total. Segundo as recomendações atuais para o uso da dapagliflozina na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, assinale a alternativa correta.
iSGLT2 (Dapagliflozina) → Benefício na ICFER independente da presença de Diabetes Mellitus, como pilar da terapia otimizada.
Os inibidores do SGLT2, como a dapagliflozina, são um dos quatro pilares do tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER). Seus benefícios cardiovasculares e renais ocorrem tanto em pacientes diabéticos quanto não diabéticos, adicionados à terapia padrão otimizada.
A introdução dos inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2), como a dapagliflozina, revolucionou o tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER). Originalmente desenvolvidos como antidiabéticos, seus benefícios cardiovasculares se mostraram tão robustos que hoje são considerados uma classe de medicamentos para a insuficiência cardíaca, independentemente da presença de diabetes. O estudo pivotal DAPA-HF (Dapagliflozin and Prevention of Adverse Outcomes in Heart Failure) demonstrou que a dapagliflozina, quando adicionada à terapia padrão, reduziu significativamente o desfecho combinado de morte cardiovascular ou piora da insuficiência cardíaca (hospitalização ou visita de emergência) em pacientes com ICFER, tanto diabéticos quanto não diabéticos. Isso consolidou os iSGLT2 como o quarto pilar da terapia medicamentosa otimizada, junto com IECA/BRA/ARNI, betabloqueadores e antagonistas mineralocorticoides. O mecanismo de ação na IC é complexo e multifatorial. Além do efeito diurético osmótico que reduz a pré-carga, os iSGLT2 melhoram a bioenergética do miocárdio, reduzem a inflamação, a fibrose e o estresse oxidativo, e promovem proteção renal. Portanto, seu uso é recomendado para todos os pacientes sintomáticos com ICFER que tolerem a medicação e não tenham contraindicações, como uma taxa de filtração glomerular muito baixa.
A terapia medicamentosa otimizada para ICFER inclui: 1) um inibidor da neprilisina e do receptor de angiotensina (sacubitril/valsartana) ou IECA/BRA; 2) um betabloqueador; 3) um antagonista do receptor mineralocorticoide; e 4) um inibidor do SGLT2 (como a dapagliflozina).
O mecanismo é multifatorial e vai além do controle glicêmico. Inclui natriurese e diurese osmótica (reduzindo pré-carga), melhora do metabolismo energético do miocárdio, redução da inflamação e fibrose cardíaca, e efeitos nefroprotetores diretos.
Sim, e inclusive possui efeito nefroprotetor. As diretrizes recomendam seu uso em pacientes com TFGe até 25-30 mL/min/1.73m². Abaixo desse valor, geralmente não é iniciada, mas pode ser mantida se o paciente já estiver em uso e apresentar declínio da função renal.
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