Dacriorrinostomia Transnasal: Indicações e Técnica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Assinale a alternativa correta quanto a dacriorrinostomia transnasal:

Alternativas

  1. A) Obstrução lacrimal baixa com saco lacrimal dilatado constitui uma boa indicação.
  2. B) Realiza-se uma ampliação do óstio do ducto naso lacrimal no meato inferior.
  3. C) Colocação de tubo de silicone (sonda de Crowford) deve ser evitada, pelo maior risco de formação de granuloma piogênico da mucosa nasal e consequente recidiva da obstrução lacrimal.
  4. D) É considerada atualmente a via de eleição por apresentar taxa de sucesso muito superior à via transcutânea.

Pérola Clínica

DCR transnasal → indicada em obstrução lacrimal baixa com saco dilatado; evita cicatriz cutânea.

Resumo-Chave

A dacriorrinostomia transnasal cria uma comunicação direta entre o saco lacrimal e o meato médio, sendo ideal para obstruções distais ao canalículo comum.

Contexto Educacional

A dacriorrinostomia transnasal representa um avanço significativo na cirurgia oculoplástica, permitindo o tratamento de obstruções lacrimais sem incisões externas. A técnica exige conhecimento profundo da anatomia endoscópica nasal, especialmente da relação entre o processo uncinado, a concha média e o osso lacrimal. Clinicamente, o sucesso do procedimento depende da seleção adequada do paciente. Obstruções canaliculares (altas) não são bem resolvidas com DCR simples, exigindo procedimentos adicionais como a conjuntivodacriorrinostomia. A avaliação pré-operatória com o teste de Mones e, se necessário, dacriocistografia, é fundamental para localizar o sítio obstrutivo e planejar a abordagem cirúrgica correta.

Perguntas Frequentes

Quais as principais indicações para dacriorrinostomia transnasal?

A dacriorrinostomia (DCR) transnasal é indicada principalmente para pacientes com obstrução adquirida do ducto nasolacrimal (obstrução baixa), que apresentam sintomas como epífora persistente e episódios recorrentes de dacriocistite. Uma condição anatômica favorável é a presença de um saco lacrimal dilatado, o que facilita a identificação e a criação do óstio cirúrgico durante o procedimento endoscópico. Além disso, é a via de escolha para pacientes que desejam evitar cicatrizes na face ou que possuem processos inflamatórios cutâneos ativos na região do canto medial que contraindicam a via externa.

Onde é realizado o novo óstio na dacriorrinostomia?

Diferente da anatomia natural, onde o ducto nasolacrimal drena para o meato inferior, a dacriorrinostomia (tanto externa quanto transnasal) visa criar uma nova via de drenagem diretamente para o meato médio. Durante a cirurgia transnasal, realiza-se uma osteotomia na parede lateral do nariz, anteriormente à inserção da concha média, expondo a mucosa do saco lacrimal. A abertura e sutura (ou marsupialização) dessa mucosa com a mucosa nasal permite que a lágrima flua do saco lacrimal diretamente para a cavidade nasal, contornando a obstrução distal no ducto.

Qual a função da intubação com silicone na DCR?

A colocação de tubos de silicone, como a sonda de Crawford, é uma etapa frequente na dacriorrinostomia para garantir a patência do novo óstio durante o processo de cicatrização. O silicone atua como um molde, impedindo que o tecido de granulação ou sinéquias fechem a abertura criada cirurgicamente. Embora exista o risco de formação de granulomas piogênicos se o tubo causar atrito excessivo na mucosa nasal, seu uso é geralmente recomendado por 3 a 6 meses em casos de reoperações, sacos lacrimais pequenos ou quando há suspeita de cicatrização exuberante, visando aumentar as taxas de sucesso.

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