HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2023
Os pais de uma criança de 10 meses de idade levam-na ao pediatra por preocupação, já que referem ter percebido lacrimejamento nos olhos do filho, sendo que algumas vezes parece também ter uma secreção, além de ele estar com um olho vermelho. Sobre a oftalmologia infantil, assinalar a alternativa CORRETA:
Lacrimejamento + secreção em lactente < 1 ano → dacrioestenose congênita comum.
O lacrimejamento e secreção ocular em lactentes são frequentemente causados pela dacrioestenose congênita, uma obstrução do ducto nasolacrimal que afeta 6-12% dos bebês. A maioria dos casos resolve-se espontaneamente até 1 ano de idade, com massagens no saco lacrimal como tratamento conservador.
O lacrimejamento e a secreção ocular em lactentes são queixas comuns na pediatria e oftalmologia infantil, sendo a dacrioestenose congênita a causa mais frequente. Esta condição, que afeta cerca de 6-12% dos recém-nascidos, ocorre devido à falha na canalização completa do ducto nasolacrimal, geralmente na válvula de Hasner, resultando em acúmulo de lágrimas e predisposição a infecções secundárias. O reconhecimento precoce e a orientação adequada aos pais são fundamentais. A fisiopatologia envolve a persistência de uma membrana na extremidade distal do ducto nasolacrimal, impedindo a drenagem adequada da lágrima para a cavidade nasal. Isso leva à epífora (lacrimejamento excessivo) e ao acúmulo de secreção no canto medial do olho, que pode ser clara, mucoide ou mucopurulenta em caso de infecção secundária (dacriocistite). O diagnóstico é clínico, diferenciando-se de conjuntivites por não apresentar hiperemia conjuntival intensa e pela presença de secreção mais proeminente no canto medial. O tratamento inicial é conservador, com massagens no saco lacrimal (manobra de Crigler) e higiene ocular. A maioria dos casos resolve-se espontaneamente até o primeiro ano de vida. Se a obstrução persistir após 12 meses ou se houver episódios recorrentes de dacriocistite, a sondagem do ducto nasolacrimal pode ser indicada. O glaucoma congênito, um diagnóstico diferencial importante, apresenta fotofobia, blefaroespasmo e buftalmia (córnea aumentada e turva), o que o diferencia do quadro de dacrioestenose.
Os principais sinais são lacrimejamento constante (epífora), secreção ocular mucoide ou mucopurulenta, e, ocasionalmente, olho vermelho devido à irritação ou infecção secundária.
O tratamento inicial é conservador, com massagens no saco lacrimal (manobra de Crigler) várias vezes ao dia para tentar romper a membrana que obstrui o ducto. Higiene ocular também é importante.
A maioria dos casos resolve-se espontaneamente até os 12 meses de idade. Se persistir após essa idade ou se houver infecções recorrentes (dacriocistites), pode ser indicada a sondagem do ducto lacrimal.
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