CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
As fotos 1 e 2 identificam o peroperatório de duas técnicas para tratamento de obstrução lacrimal baixa. Assinale a alternativa correta:
DCR externa exige luxação do saco lacrimal para anastomose mucosa; a endoscópica acessa via nasal.
A técnica 1 (DCR externa) requer a mobilização e luxação do saco lacrimal do seu leito ósseo para realizar a anastomose com a mucosa nasal, diferenciando-se da abordagem endoscópica.
A obstrução lacrimal baixa ocorre geralmente no ducto nasolacrimal, levando a epífora e dacriocistites de repetição. O tratamento cirúrgico visa criar uma nova via de drenagem (bypass). A escolha entre a via externa e a endoscópica depende da experiência do cirurgião, anatomia do paciente e presença de comorbidades. A técnica externa permite uma visão direta e sutura precisa, enquanto a endoscópica minimiza o trauma externo. Historicamente, a DCR externa apresenta taxas de sucesso ligeiramente superiores em algumas séries, mas a evolução dos instrumentais endoscópicos igualou esses resultados. O conhecimento da anatomia da fossa lacrimal e do osso lacrimal é crucial para evitar complicações como hemorragias da artéria angular ou lesões no canalículo comum durante a manipulação do saco.
A dacriocistorrinostomia (DCR) externa é considerada o padrão-ouro para obstruções do ducto nasolacrimal. Ela envolve uma incisão cutânea na região do canto medial, seguida pela separação do ligamento palpebral medial e a luxação do saco lacrimal de sua fossa. Após a osteotomia, realiza-se a anastomose direta entre a mucosa do saco lacrimal e a mucosa nasal. É uma técnica com altas taxas de sucesso (acima de 90%), mas que deixa uma cicatriz cutânea mínima e exige manipulação tecidual mais extensa que a via endoscópica.
A DCR endoscópica (técnica 2) oferece a vantagem principal de evitar a cicatriz cutânea e preservar a bomba lacrimal (músculo orbicular). O acesso é feito inteiramente por via endonasal, onde se localiza o saco lacrimal através da transiluminação ou referências anatômicas, realizando-se a abertura da parede medial do saco diretamente para a cavidade nasal. Embora tenha recuperação mais rápida, em casos de sacos lacrimais muito pequenos ou fibrosados, a visualização e a criação de retalhos mucosos podem ser mais desafiadoras do que na via externa.
Na via externa, a luxação do saco lacrimal é um passo fundamental para permitir a exposição adequada da fossa lacrimal para a osteotomia e, posteriormente, para que o cirurgião possa incisar o saco e criar os retalhos anterior e posterior de mucosa. Sem a luxação (descolamento do periósteo da fossa lacrimal), não há espaço nem mobilidade suficiente para realizar a sutura precisa entre as mucosas lacrimal e nasal, que é o cerne do sucesso da cirurgia externa.
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