CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2019
Em qual das situações abaixo é preferível realizar uma dacriocistorrinostomia por via transcutânea ao invés da por via transnasal?
Atresia de saco lacrimal ou anatomia nasal complexa → Preferir DCR via transcutânea (externa).
A dacriocistorrinostomia externa permite melhor visualização e manipulação de sacos lacrimais pequenos ou atrésicos, onde a via endoscópica transnasal apresenta limitações técnicas severas.
A dacriocistorrinostomia (DCR) é o padrão-ouro para o tratamento da obstrução do ducto nasolacrimal. A técnica consiste na criação de uma fístula entre o saco lacrimal e a cavidade nasal. A via externa (transcutânea) envolve uma incisão na pele próxima ao canto medial, enquanto a via endoscópica é realizada através da narina. A escolha entre as vias depende da anatomia do paciente, presença de comorbidades nasais e experiência do cirurgião. Em casos de atresia de saco lacrimal, a via externa é preferível devido à facilidade de identificação de estruturas hipoplásicas. O uso de intubação com sonda de silicone (como a de Crawford) pode ser feito em ambas as vias, não sendo um fator decisivo para a escolha da técnica per se.
A dacriocistorrinostomia (DCR) externa oferece uma visualização direta e ampla da anatomia do saco lacrimal e da parede lateral nasal. Isso é particularmente vantajoso em casos de atresia de saco lacrimal, onde o espaço de trabalho é reduzido, ou em reoperações onde há fibrose cicatricial. Além disso, permite uma sutura mais precisa dos retalhos de mucosa lacrimal e nasal, o que historicamente está associado a taxas de sucesso ligeiramente superiores em casos complexos quando comparada à via endoscópica inicial.
Na atresia ou hipoplasia do saco lacrimal, o alvo cirúrgico é muito pequeno, dificultando a localização e a abertura adequada por via endoscópica transnasal sem causar trauma excessivo aos tecidos adjacentes. A via transcutânea permite que o cirurgião identifique o saco lacrimal por uma abordagem anterior, facilitando a criação de uma osteotomia precisa e a anastomose mucosa mesmo em condições anatômicas desfavoráveis.
Não. Embora a via transnasal seja preferida por pacientes com preocupações estéticas (como modelos fotográficos), a cicatriz da DCR externa costuma ser muito discreta quando realizada seguindo as linhas de tensão da pele (prega epicântica). A escolha da técnica deve balancear o desejo estético do paciente com a probabilidade de sucesso funcional, sendo a via externa a escolha técnica superior em obstruções baixas com sacos lacrimais muito pequenos.
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