HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Adolescente, sexo masculino, 14 anos, é trazido à consulta pelos pais devido a uma mudança abrupta de comportamento nas últimas semanas. Eles relatam que o menino, anteriormente sociável e com bom desempenho escolar, tornou-se retraído, evitou atividades em grupo, demonstrou resistência a ir à escola e passou a apresentar episódios de choro frequente. A mãe menciona que o filho parece estar constantemente checando o celular, com expressões de ansiedade, mas evita compartilhar o que está acontecendo. Após muita insistência, ele revelou que está sendo alvo de mensagens ofensivas e humilhantes em redes sociais, por parte de colegas de classe, que começaram há dois meses e intensificaram-se após ele postar uma foto em um perfil privado. As mensagens incluem insultos sobre sua aparência, ameaças veladas e uso de imagens editadas para ridicularizá-lo. A família está muito preocupada com sinais de fadiga extrema, insônia e uma diminuição no interesse por atividades que João antes apreciava. Com base no caso apresentado, assinale a alternativa correta:
Cyberbullying → Acolhimento, suporte psicológico e orientação familiar superam a restrição digital isolada.
O cyberbullying causa sofrimento psíquico intenso e requer abordagem multidisciplinar focada no acolhimento e na saúde mental, evitando medidas punitivas ou restritivas ineficazes.
O cyberbullying representa uma extensão digital da violência interpessoal, com características únicas como a perenidade do conteúdo e o alcance ilimitado. Na adolescência, fase de intensa formação da identidade e necessidade de pertencimento, tais agressões podem desencadear episódios depressivos graves, transtornos de ansiedade e ideação suicida. O papel do médico transcende o diagnóstico clínico, exigindo uma escuta ativa e empática. A conduta deve priorizar a segurança emocional do paciente. O encaminhamento para psicoterapia (especialmente a TCC) é fundamental para processar o trauma. Além disso, a orientação aos pais sobre como monitorar sem invadir e como apoiar sem julgar é essencial para o prognóstico. Medidas legais e escolares são complementares, mas o foco primário é a estabilização do sofrimento psíquico e a prevenção de desfechos graves como a autolesão.
Médicos devem estar atentos a mudanças bruscas de comportamento, queda no desempenho escolar, isolamento social, sintomas somáticos (cefaleia, dor abdominal), distúrbios do sono e ansiedade excessiva ao usar dispositivos eletrônicos. O rastreio de saúde mental deve ser rotina em adolescentes com queixas inespecíficas ou mudanças de humor.
A restrição punitiva ou total pode ser percebida pelo adolescente como uma penalização adicional, levando ao isolamento social e dificultando a comunicação com os pais. A estratégia deve focar no uso mediado, letramento digital e fortalecimento da resiliência emocional, em vez de apenas remover a tecnologia, que é parte integrante da vida social atual.
A família deve oferecer suporte incondicional e manter canais de diálogo abertos. A escola deve ser notificada para implementar protocolos de mediação de conflitos e garantir um ambiente seguro. O médico atua como coordenador do cuidado, integrando o suporte psicológico e orientando as esferas social e familiar para mitigar danos a longo prazo.
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