SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 38 anos de idade, tercigesta com duas cesáreas anteriores, com seis semanas de gestação, procurou o pronto-socorro com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade, de início há um dia, com cólicas leves. Ainda não iniciou o pré-natal. A respeito desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Se a paciente for submetida a curetagem uterina, o produto da concepção não precisa ser encaminhado para estudo anatomopatológico.
Produto de curetagem uterina SEMPRE deve ser enviado para anatomopatológico para excluir mola e outras patologias.
O produto da concepção obtido por curetagem uterina (ou aspiração manual intrauterina - AMIU) deve ser SEMPRE encaminhado para estudo anatomopatológico. Isso é fundamental para confirmar o diagnóstico de abortamento, excluir mola hidatiforme e outras patologias, e auxiliar na investigação de abortos de repetição.
Em casos de abortamento, seja ele espontâneo ou retido, e quando há indicação de esvaziamento uterino por curetagem ou aspiração manual intrauterina (AMIU), o material obtido deve ser obrigatoriamente encaminhado para estudo anatomopatológico. Esta é uma prática padrão e de extrema importância na ginecologia e obstetrícia. O estudo histopatológico do produto da concepção permite confirmar o diagnóstico de abortamento, diferenciando-o de outras condições como a gravidez ectópica. Mais crucialmente, ele é essencial para excluir a presença de doença trofoblástica gestacional, como a mola hidatiforme (completa ou parcial), que requer um seguimento pós-esvaziamento uterino muito específico e rigoroso dos níveis de beta-hCG para prevenir complicações graves, como a doença trofoblástica gestacional persistente ou o coriocarcinoma. Além disso, a análise anatomopatológica pode fornecer informações valiosas sobre a etiologia do abortamento, especialmente em casos de abortos de repetição, auxiliando no aconselhamento genético e no planejamento de futuras gestações. Portanto, a afirmação de que o produto não precisa ser encaminhado para estudo anatomopatológico está incorreta, sendo uma falha grave na conduta médica.
O envio é crucial para confirmar o diagnóstico de abortamento, excluir patologias como a mola hidatiforme (que exige seguimento rigoroso) e fornecer informações etiológicas para casos de abortos de repetição.
Além de confirmar o abortamento, o exame pode identificar mola hidatiforme (completa ou parcial), restos placentários, infecções e, em alguns casos, anomalias cromossômicas, auxiliando na conduta e aconselhamento.
A mola hidatiforme é uma forma de doença trofoblástica gestacional que requer acompanhamento rigoroso dos níveis de hCG para detectar e tratar precocemente uma possível doença trofoblástica gestacional persistente ou coriocarcinoma.
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