PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Você atende uma paciente de 45 anos que veio para consulta ginecológica com queixa de sangramento menstrual aumentado. Ela é hipertensa em uso de Losartana e tem laqueadura tubária como cirurgia prévia. Teve 4 partos vaginais e atualmente tem vida sexual ativa. No exame físico, não foi possível palpar útero em virtude de dificuldade técnica (paciente muito obesa). Ela retorna com você trazendo o resultado de exame ultrassonográfico feita no pós menstrual que identifica Útero em AVF com ecotextura miometrial homogênea exceto pela presença de nódulo miomatoso subseroso de 2cm, com volume de 140cc, endométrio regular de 10mm e ovário direito com volume de 3cc e esquerdo com 2cc. Qual a conduta mais adequada para a paciente?
Menorragia em paciente >40a com FR (obesidade) → excluir patologia endometrial (curetagem de prova) antes de tratar.
Em uma paciente de 45 anos com menorragia e fatores de risco como obesidade, é imperativo excluir patologias endometriais malignas ou pré-malignas, como hiperplasia ou câncer de endométrio. A curetagem de prova é um procedimento diagnóstico que permite a coleta de material endometrial para análise histopatológica, sendo a conduta mais adequada antes de qualquer tratamento definitivo ou sintomático.
O sangramento uterino anormal (SUA), especialmente a menorragia, é uma queixa ginecológica comum, particularmente na perimenopausa. A investigação do SUA é crucial, pois pode variar de causas benignas a condições pré-malignas e malignas. A idade da paciente (acima de 40 anos) e a presença de fatores de risco como obesidade (que leva a um estado de hiperestrogenismo relativo) aumentam significativamente a probabilidade de patologias endometriais graves, incluindo hiperplasia e câncer de endométrio. A fisiopatologia do SUA pode envolver desregulação hormonal, distúrbios de coagulação, ou patologias estruturais como miomas, pólipos e adenomiose. No entanto, em pacientes com fatores de risco para malignidade, a prioridade diagnóstica é excluir o câncer de endométrio. A ultrassonografia pélvica é um exame inicial útil, mas não definitivo para excluir malignidade endometrial, especialmente se o endométrio não estiver claramente atrófico ou houver espessamento. A conduta mais adequada para esta paciente é a curetagem de prova, que permite a obtenção de tecido endometrial para análise histopatológica. Este procedimento é essencial para um diagnóstico preciso e para guiar o tratamento subsequente. Somente após a exclusão de malignidade ou pré-malignidade endometrial, outras opções terapêuticas para a menorragia, como o sistema intrauterino de levonorgestrel, podem ser consideradas. A histerectomia e miomectomia são tratamentos definitivos que não devem ser realizados sem um diagnóstico tecidual prévio em casos suspeitos.
Os principais fatores de risco para câncer de endométrio incluem idade avançada (especialmente pós-menopausa), obesidade, diabetes, hipertensão, uso de tamoxifeno, síndrome dos ovários policísticos, nuliparidade e história familiar de câncer colorretal não polipose hereditário (Síndrome de Lynch). A exposição prolongada e desbalanceada a estrogênios é um fator chave.
A curetagem de prova é indicada para investigação de sangramento uterino anormal (SUA) em mulheres com fatores de risco para patologia endometrial (idade >40-45 anos, obesidade, anovulação crônica), SUA persistente ou refratário ao tratamento clínico, ou achados suspeitos na ultrassonografia (ex: espessamento endometrial irregular). É um método diagnóstico para obter material para histopatologia.
Miomas subserosos localizam-se na superfície externa do útero e geralmente não causam sangramento uterino anormal, a menos que sejam muito grandes ou pedunculados e causem compressão. Miomas submucosos, por outro lado, projetam-se para a cavidade endometrial e são a causa mais comum de menorragia e sangramento uterino irregular devido à sua localização e impacto no endométrio.
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