ENARE/ENAMED — Prova 2024
Um médico, trabalhando em uma unidade de pronto atendimento, atende um paciente de 70 anos com queixa de febre de início há 4 dias, acompanhada de tosse produtiva e astenia. O paciente é diabético e hipertenso, encontra-se consciente e orientado, porém, no momento, está com a visão prejudicada, devido à cirurgia recente de correção de catarata. Ele não tem tomado as medicações de uso contínuo por não estar conseguindo identificá-las. Seu filho, que mora há 450 Km de distância, chegará em 2 dias para poder acompanhá-lo. Ao exame físico, apresenta frequência respiratória de 24 irpm, pressão arterial de 100x64 mmHg, exame laboratorial: ureia 45 mg/dl e creatinina 0,6 mg/dL. Diante do exposto, qual seria a conduta adequada?
CURB-65 baixo não exclui internação se fatores sociais/comorbidades de risco presentes.
Mesmo com um escore CURB-65 baixo, a presença de comorbidades significativas (diabetes, hipertensão), idade avançada e, crucialmente, um contexto social desfavorável (visão prejudicada, dificuldade em tomar medicação, ausência de cuidador imediato) são indicações fortes para internação e tratamento hospitalar da pneumonia.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em idosos é uma condição grave, com alta morbimortalidade. A avaliação de risco é fundamental para decidir o local de tratamento (ambulatorial ou hospitalar). O escore CURB-65 é uma ferramenta amplamente utilizada para estratificação de risco, mas não deve ser o único critério. Fatores como idade avançada, comorbidades (diabetes, hipertensão) e, especialmente, o contexto social e a capacidade de autocuidado do paciente, são cruciais para uma decisão clínica segura e eficaz. Um paciente idoso com comorbidades e sem suporte adequado em casa tem maior risco de descompensação e complicações, justificando a internação mesmo com um escore CURB-65 que, isoladamente, poderia indicar tratamento ambulatorial. A fisiopatologia da PAC envolve a inalação ou aspiração de microrganismos, levando à inflamação pulmonar. Em idosos, a resposta imune pode ser atenuada, e a presença de comorbidades crônicas compromete a reserva fisiológica, tornando-os mais vulneráveis. O diagnóstico é clínico e radiológico. A suspeita deve ser alta em pacientes com febre, tosse, dispneia e astenia. A avaliação da gravidade, como pelo CURB-65, ajuda a guiar a conduta, mas a individualização do caso é primordial. O tratamento da PAC envolve antibioticoterapia empírica, suporte clínico e monitorização. A decisão de internar ou tratar ambulatorialmente impacta diretamente o prognóstico. Em casos como o descrito, a internação permite uma administração mais segura de medicamentos, monitorização de sinais vitais e manejo de possíveis complicações, garantindo que o paciente receba o cuidado necessário até que o suporte social seja restabelecido ou a condição clínica estabilizada. A alta hospitalar deve ser cuidadosamente planejada, considerando a melhora clínica e a capacidade do paciente de aderir ao tratamento em casa.
O CURB-65 avalia Confusão, Ureia > 7 mmol/L (ou > 19 mg/dL), Frequência Respiratória ≥ 30 irpm, Pressão Arterial (PAS < 90 mmHg ou PAD ≤ 60 mmHg) e Idade ≥ 65 anos. Cada critério presente soma 1 ponto, totalizando de 0 a 5 pontos.
Fatores como incapacidade de autocuidado, falta de suporte familiar, dificuldade de acesso a medicamentos ou acompanhamento, e comorbidades descompensadas (diabetes, insuficiência cardíaca) são indicações para internação, mesmo que o CURB-65 sugira tratamento ambulatorial, devido ao risco aumentado de complicações e falha terapêutica.
A hipotensão (PAS < 90 mmHg ou PAD ≤ 60 mmHg) é um critério de gravidade no CURB-65, indicando maior risco de choque e necessidade de internação. No caso, a pressão de 100x64 mmHg não atinge os critérios de pontuação para hipotensão no escore.
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