USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente com queimadura de segundo grau extensa, circular, em membro superior. Em relação aos curativos das áreas queimadas de segundo grau, assinale a alternativa correta:
Curativo ideal 2º grau → Oclusivo, não aderente, absorvente e protetor contra perda de calor/infecção.
O curativo para queimaduras de espessura parcial deve manter um ambiente úmido e protegido, minimizando a dor e o risco de colonização bacteriana.
Queimaduras de segundo grau (espessura parcial) caracterizam-se pelo comprometimento da epiderme e parte da derme, apresentando-se com bolhas (flictenas) e dor intensa. O manejo tópico visa proteger os remanescentes epiteliais e prevenir a conversão para uma queimadura de terceiro grau, que pode ocorrer em casos de infecção ou má perfusão tecidual. A escolha da cobertura é crucial para o desfecho funcional e estético. Em queimaduras extensas e circulares, como no caso clínico, deve-se ter atenção redobrada ao risco de síndrome compartimental devido ao edema subjacente à escara ou ao curativo compressivo. O curativo deve ser aplicado de forma a permitir a expansão tecidual e a monitorização da perfusão distal. O uso de agentes antimicrobianos tópicos, como a sulfadiazina de prata a 1%, continua sendo um padrão-ouro em muitos centros, embora coberturas biossintéticas venham ganhando espaço por exigirem menos trocas.
Um curativo ideal para queimaduras de segundo grau deve ser não aderente (para evitar trauma na retirada), absorvente (para gerenciar o exsudato), capaz de reduzir a perda de calor (mantendo a temperatura local) e atuar como barreira contra a colonização bacteriana. Além disso, deve proporcionar conforto ao paciente e ser de fácil aplicação e remoção, minimizando a dor durante os cuidados locais.
O tratamento por exposição aumenta o risco de dessecação do leito da ferida, perda excessiva de calor e fluidos, além de deixar a área mais vulnerável a infecções exógenas. Em queimaduras de segundo grau, a derme está exposta e as terminações nervosas estão íntegras, o que torna a exposição ao ar extremamente dolorosa. O curativo oclusivo protege o tecido de granulação e acelera a reepitelização em ambiente úmido.
A frequência de troca depende do tipo de cobertura utilizada e da quantidade de exsudato. Curativos com sulfadiazina de prata geralmente exigem trocas a cada 12 ou 24 horas. No entanto, coberturas modernas e tecnológicas (como espumas de poliuretano ou fibras de carboximetilcelulose com prata) podem permanecer por vários dias, reduzindo o trauma da troca e os custos hospitalares, desde que não haja sinais de infecção ou saturação do curativo.
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