PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Em relação aos cuidados perioperatórios que devem ser dispensados aos pacientes especiais, assinale a alternativa CORRETA:
Nunca suspenda betabloqueadores no pré-op → risco de taquicardia rebote e infarto do miocárdio.
A manutenção de betabloqueadores no perioperatório é fundamental para pacientes que já os utilizam cronicamente, evitando o estresse adrenérgico excessivo durante a cirurgia.
O manejo perioperatório de medicamentos crônicos é um pilar da segurança do paciente cirúrgico. Além dos betabloqueadores, outras medicações como estatinas e clonidina também devem ser mantidas. Já medicamentos como IECA e BRA são frequentemente suspensos 24h antes para evitar hipotensão refratária à indução anestésica. A avaliação de risco deve ser individualizada, considerando o tipo de cirurgia (baixo, médio ou alto risco cardiovascular) e a capacidade funcional do paciente, conforme diretrizes da SBC e AHA/ACC.
Pacientes em uso crônico de betabloqueadores apresentam uma regulação positiva (up-regulation) dos receptores beta-adrenérgicos. A interrupção abrupta no período perioperatório, que é um momento de alto estresse simpático, pode causar uma resposta adrenérgica exagerada. Isso resulta em taquicardia severa, hipertensão e aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio, elevando significativamente o risco de isquemia miocárdica e infarto agudo do miocárdio (IAM) perioperatório.
Cirurgias não obstétricas em gestantes devem ser evitadas, se possível, no primeiro trimestre (devido à organogênese e risco de teratogenia) e no terceiro trimestre (devido ao risco de parto prematuro). O segundo trimestre é considerado o período mais seguro para intervenções cirúrgicas necessárias, pois a organogênese está completa e o útero ainda não é grande o suficiente para dificultar excessivamente o acesso cirúrgico ou causar compressão aortocava grave.
Em pacientes obesos, a cirurgia laparoscópica é geralmente preferida à cirurgia aberta, pois reduz o risco de infecção da ferida operatória, deiscências e hérnias incisionais. Embora o pneumoperitônio possa reduzir a complacência pulmonar intraoperatória, o uso da laparoscopia está associado a uma recuperação mais rápida, menos dor pós-operatória e, consequentemente, menor incidência de atelectasias e complicações respiratórias no pós-operatório quando comparado à laparotomia.
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