Betabloqueadores no Perioperatório: Manter ou Suspender?

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Em relação aos cuidados perioperatórios que devem ser dispensados aos pacientes especiais, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A interrupção pré-operatória do uso de betabloqueadores está associada a uma maior ocorrência de taquicardia e infarto agudo do miocárdio.
  2. B) Em idosos, mesmo sem comorbidades, a conduta cirúrgica deve ser repensada em função do fator idade.
  3. C) No obeso, as técnicas laparoscópicas acarretam maior incidência de atelectasias no período pósoperatório do que na cirurgia aberta, devido ao pneumoperitônio.
  4. D) O segundo trimestre de gestação é o período mais crítico para a realização de operações em grávidas.

Pérola Clínica

Nunca suspenda betabloqueadores no pré-op → risco de taquicardia rebote e infarto do miocárdio.

Resumo-Chave

A manutenção de betabloqueadores no perioperatório é fundamental para pacientes que já os utilizam cronicamente, evitando o estresse adrenérgico excessivo durante a cirurgia.

Contexto Educacional

O manejo perioperatório de medicamentos crônicos é um pilar da segurança do paciente cirúrgico. Além dos betabloqueadores, outras medicações como estatinas e clonidina também devem ser mantidas. Já medicamentos como IECA e BRA são frequentemente suspensos 24h antes para evitar hipotensão refratária à indução anestésica. A avaliação de risco deve ser individualizada, considerando o tipo de cirurgia (baixo, médio ou alto risco cardiovascular) e a capacidade funcional do paciente, conforme diretrizes da SBC e AHA/ACC.

Perguntas Frequentes

Por que não se deve suspender o betabloqueador antes de uma cirurgia?

Pacientes em uso crônico de betabloqueadores apresentam uma regulação positiva (up-regulation) dos receptores beta-adrenérgicos. A interrupção abrupta no período perioperatório, que é um momento de alto estresse simpático, pode causar uma resposta adrenérgica exagerada. Isso resulta em taquicardia severa, hipertensão e aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio, elevando significativamente o risco de isquemia miocárdica e infarto agudo do miocárdio (IAM) perioperatório.

Qual a conduta para cirurgias em gestantes?

Cirurgias não obstétricas em gestantes devem ser evitadas, se possível, no primeiro trimestre (devido à organogênese e risco de teratogenia) e no terceiro trimestre (devido ao risco de parto prematuro). O segundo trimestre é considerado o período mais seguro para intervenções cirúrgicas necessárias, pois a organogênese está completa e o útero ainda não é grande o suficiente para dificultar excessivamente o acesso cirúrgico ou causar compressão aortocava grave.

Como a obesidade afeta a escolha da técnica cirúrgica?

Em pacientes obesos, a cirurgia laparoscópica é geralmente preferida à cirurgia aberta, pois reduz o risco de infecção da ferida operatória, deiscências e hérnias incisionais. Embora o pneumoperitônio possa reduzir a complacência pulmonar intraoperatória, o uso da laparoscopia está associado a uma recuperação mais rápida, menos dor pós-operatória e, consequentemente, menor incidência de atelectasias e complicações respiratórias no pós-operatório quando comparado à laparotomia.

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