Carcinomatose em Idosos: Cuidados Paliativos e Ética

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 95 anos, portadora de demência, restrita ao leito, vai ao consultório do cirurgião com extrema dificuldade na cadeira de rodas pois sua filha desesperada percebe durante o banho, vários nódulos no abdomen. Ao exame, o cirurgião nota um abdômen distendido, endurecido, com vários nodulos, provavelmente sugestivos de carcinomatose peritoneal. Qual a melhor conduta inicial neste caso?

Alternativas

  1. A) solicitar imediatamente tomografia sem esclarecer exatamente a hipótese diagnostica provável
  2. B) solicitar que vá a emergência imediatamente com cirurgia programada de imediato
  3. C) encaminhar diretamente ao oncologista
  4. D) conversa com a filha a provável hipótese e qual caminho melhor seguir em relação a qualidade de vida e dignidade da pessoa
  5. E) todas as alternativas estão corretas

Pérola Clínica

Idoso frágil, demenciado, com provável carcinomatose → Priorizar comunicação, qualidade de vida e cuidados paliativos.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos, frágeis e demenciados com provável doença oncológica avançada (carcinomatose peritoneal), a prioridade é a comunicação empática com a família sobre o prognóstico, focando na qualidade de vida, dignidade e cuidados paliativos, em vez de investigações invasivas ou tratamentos agressivos.

Contexto Educacional

Em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades, fragilidade e demência avançada, a abordagem médica deve ser centrada na pessoa, priorizando a qualidade de vida e a dignidade. A suspeita de carcinomatose peritoneal em uma paciente de 95 anos, restrita ao leito e com demência, indica um prognóstico reservado e a necessidade de uma abordagem paliativa. Nesse cenário, a comunicação empática e transparente com a família é a conduta inicial mais importante. É fundamental discutir a provável hipótese diagnóstica, o prognóstico desfavorável e as opções de cuidado, focando em aliviar o sofrimento e manter a dignidade da paciente. A tomada de decisão deve ser compartilhada, considerando os valores e desejos da família e o que seria o melhor para a paciente, evitando investigações invasivas ou tratamentos agressivos que possam causar mais dano do que benefício. Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida. Em casos de doença avançada e fragilidade extrema, a ênfase muda do tratamento curativo para o controle de sintomas, suporte psicossocial e planejamento antecipado de cuidados, garantindo que o paciente receba o cuidado mais apropriado e humano possível.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da comunicação na medicina paliativa?

A comunicação eficaz é fundamental para estabelecer confiança, alinhar expectativas, discutir o prognóstico, os objetivos de cuidado e as preferências do paciente e da família, garantindo decisões informadas e respeitosas.

Quando os cuidados paliativos devem ser introduzidos em pacientes oncológicos?

Os cuidados paliativos devem ser introduzidos precocemente no curso da doença oncológica, em conjunto com o tratamento curativo, e se tornam a principal modalidade de cuidado quando a doença avança e o tratamento curativo não é mais eficaz ou desejado.

Como a demência afeta a tomada de decisão médica?

A demência compromete a capacidade do paciente de tomar decisões autônomas. Nesses casos, a tomada de decisão deve ser compartilhada com os familiares ou responsáveis legais, respeitando os desejos previamente expressos pelo paciente, se houver, e sempre visando o melhor interesse e dignidade do indivíduo.

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