HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020
Paciente de 95 anos, portadora de demência, restrita ao leito, vai ao consultório do cirurgião com extrema dificuldade na cadeira de rodas pois sua filha desesperada percebe durante o banho, vários nódulos no abdomen. Ao exame, o cirurgião nota um abdômen distendido, endurecido, com vários nodulos, provavelmente sugestivos de carcinomatose peritoneal. Qual a melhor conduta inicial neste caso?
Idoso frágil, demenciado, com provável carcinomatose → Priorizar comunicação, qualidade de vida e cuidados paliativos.
Em pacientes idosos, frágeis e demenciados com provável doença oncológica avançada (carcinomatose peritoneal), a prioridade é a comunicação empática com a família sobre o prognóstico, focando na qualidade de vida, dignidade e cuidados paliativos, em vez de investigações invasivas ou tratamentos agressivos.
Em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades, fragilidade e demência avançada, a abordagem médica deve ser centrada na pessoa, priorizando a qualidade de vida e a dignidade. A suspeita de carcinomatose peritoneal em uma paciente de 95 anos, restrita ao leito e com demência, indica um prognóstico reservado e a necessidade de uma abordagem paliativa. Nesse cenário, a comunicação empática e transparente com a família é a conduta inicial mais importante. É fundamental discutir a provável hipótese diagnóstica, o prognóstico desfavorável e as opções de cuidado, focando em aliviar o sofrimento e manter a dignidade da paciente. A tomada de decisão deve ser compartilhada, considerando os valores e desejos da família e o que seria o melhor para a paciente, evitando investigações invasivas ou tratamentos agressivos que possam causar mais dano do que benefício. Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida. Em casos de doença avançada e fragilidade extrema, a ênfase muda do tratamento curativo para o controle de sintomas, suporte psicossocial e planejamento antecipado de cuidados, garantindo que o paciente receba o cuidado mais apropriado e humano possível.
A comunicação eficaz é fundamental para estabelecer confiança, alinhar expectativas, discutir o prognóstico, os objetivos de cuidado e as preferências do paciente e da família, garantindo decisões informadas e respeitosas.
Os cuidados paliativos devem ser introduzidos precocemente no curso da doença oncológica, em conjunto com o tratamento curativo, e se tornam a principal modalidade de cuidado quando a doença avança e o tratamento curativo não é mais eficaz ou desejado.
A demência compromete a capacidade do paciente de tomar decisões autônomas. Nesses casos, a tomada de decisão deve ser compartilhada com os familiares ou responsáveis legais, respeitando os desejos previamente expressos pelo paciente, se houver, e sempre visando o melhor interesse e dignidade do indivíduo.
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