Cuidados Paliativos no Glioblastoma Avançado: Nutrição

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Homem, 62 anos de idade, com diagnóstico de glioblastoma multiforme há 10 meses, previamente tratado com cirurgia, radioterapia e quimioterapia com temozolomida, comparece ao ambulatório com quadro de cefaleia intensa, piora progressiva nas últimas semanas, associada a episódios de confusão mental, estando restrito ao leito ou na cadeira de rodas todo o tempo. O exame neurológico revela hemiparesia direita e papiledema. A família relata que o paciente se tornou mais sonolento e não consegue se alimentar. A ressonância magnética recente mostra crescimento tumoral significativo com edema peritumoral. Considerando a nutrição desse paciente, diante do estágio da doença, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Manter dieta oral e suplementação nutricional via oral.
  2. B) Iniciar nutrição enteral imediata via sonda nasogástrica.
  3. C) Fazer suplementação parenteral total para manter o estado nutricional.
  4. D) Introduzir cuidados de suporte com foco na prevenção de desconforto.

Pérola Clínica

Fim de vida + Glioblastoma avançado → Foco no conforto; evitar medidas invasivas como SNG ou NPT.

Resumo-Chave

Em pacientes com neoplasias malignas avançadas e declínio funcional irreversível, a nutrição artificial não prolonga a vida e pode aumentar o desconforto.

Contexto Educacional

O glioblastoma multiforme é o tumor cerebral primário mais agressivo, com prognóstico reservado mesmo após tratamento padrão. Quando a doença progride apesar da terapia e o paciente atinge um estado de dependência total, a transição para cuidados exclusivamente paliativos é fundamental. A decisão sobre nutrição envolve dilemas bioéticos; no entanto, a evidência clínica demonstra que a nutrição artificial em pacientes terminais não oferece benefícios metabólicos e pode ser considerada futilidade terapêutica.

Perguntas Frequentes

Por que não iniciar nutrição enteral neste paciente?

O paciente apresenta um glioblastoma multiforme em progressão franca, com sinais de hipertensão intracraniana e baixo status funcional (restrito ao leito/cadeira). Nesta fase de terminalidade, a introdução de uma sonda nasogástrica (nutrição enteral) é considerada uma medida invasiva que não melhora a sobrevida, não reverte a caquexia neoplásica e pode causar agitação, risco de aspiração e desconforto físico, indo contra os princípios dos cuidados paliativos.

Qual o objetivo dos cuidados de suporte neste cenário?

O objetivo principal é o controle de sintomas e a preservação da dignidade. Isso inclui o manejo da dor (cefaleia), controle do edema cerebral com corticosteroides (se houver benefício sintomático), sedação paliativa se houver sofrimento refratário e suporte psicológico à família. A dieta deve ser oferecida por via oral apenas conforme o desejo e a capacidade de deglutição do paciente, sem pressões nutricionais.

Como manejar a sonolência e a falta de alimentação?

A sonolência e a hiporexia fazem parte do processo natural de terminalidade em doenças neurológicas graves. A família deve ser orientada de que a falta de ingestão alimentar não causa sofrimento por 'fome' nesta fase e que a hidratação ou nutrição artificial pode, inclusive, aumentar secreções pulmonares e edema. O foco deve ser em cuidados de boca, conforto térmico e presença familiar.

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