USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Você vai realizar uma consulta domiciliar para um paciente de 72 anos de idade, que recebeu alta há dois dias. Ele estava internado devido a uma descompensação de insuficiência cardíaca. É a quinta internação ao longo de 1 ano. Ele permanece a maior parte do dia sentado com dispneia, mesmo com o tratamento otimizado. Antecedentes: infarto agudo do miocárdio, diabetes melito, hipertensão arterial e dislipidemia. Aposentado há 8 anos, é casado, tem dois filhos e uma neta com quem tem ótima relação. Mini exame do estado mental: 28/30. Em relação ao seguimento, deve-se
IC avançada com sintomas refratários e múltiplas internações → Indicação formal de cuidados paliativos e discussão de diretivas antecipadas.
Em pacientes com insuficiência cardíaca avançada, classe funcional IV (NYHA) e hospitalizações recorrentes, os cuidados paliativos devem ser integrados precocemente. O objetivo é melhorar a qualidade de vida, controlar sintomas e alinhar o tratamento aos valores do paciente, o que inclui a discussão sobre diretivas antecipadas de vontade.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica progressiva com alta morbimortalidade. Pacientes em estágios avançados (estágio D da ACC/AHA ou classe funcional IV da NYHA) frequentemente experimentam sintomas debilitantes e refratários, como dispneia, fadiga e edema, apesar da terapia medicamentosa otimizada. Esses pacientes têm um prognóstico reservado, com múltiplas hospitalizações e qualidade de vida severamente comprometida, tornando essencial a abordagem de cuidados paliativos. Os cuidados paliativos na IC não se restringem ao fim da vida, mas devem ser integrados ao tratamento padrão assim que a doença se torna avançada e sintomática. O foco é o alívio do sofrimento físico, psicossocial e espiritual. A abordagem inclui o manejo agressivo de sintomas, como o uso de opioides para dispneia refratária, e o suporte emocional ao paciente e à família. A comunicação clara sobre o prognóstico e os objetivos do cuidado é fundamental. Nesse contexto, a discussão sobre Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) torna-se imperativa. Isso permite que o paciente, enquanto lúcido, expresse seus desejos sobre futuras intervenções, como reanimação cardiopulmonar, ventilação mecânica ou uso de dispositivos de assistência ventricular. Este planejamento avançado de cuidados assegura a autonomia do paciente, evita tratamentos fúteis e alinha o plano terapêutico com os valores e a qualidade de vida desejada pelo indivíduo.
Os gatilhos incluem sintomas refratários (dispneia, dor, fadiga) apesar do tratamento otimizado, múltiplas hospitalizações (>2 em 1 ano), classe funcional III/IV da NYHA persistente e a pergunta 'Você se surpreenderia se este paciente morresse no próximo ano?'. Se a resposta for 'não', é hora de iniciar a abordagem.
DAV é um documento onde o paciente, com capacidade civil, expressa seus desejos sobre cuidados e tratamentos que quer (ou não) receber quando estiver incapacitado de se comunicar. Discuti-las garante a autonomia do paciente e alinha o plano terapêutico aos seus valores, evitando intervenções fúteis.
A reabilitação foca na melhora funcional, enquanto os cuidados paliativos focam no alívio de sintomas e melhora da qualidade de vida em face de uma doença incurável e progressiva. Em um paciente com IC avançada e sintomas refratários, os cuidados paliativos são prioritários, embora possam coexistir com medidas de reabilitação focadas no conforto.
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