SUS-RR - Sistema Único de Saúde de Roraima — Prova 2017
Um paciente com noventa e cinco anos de idade, com demência Alzheimer na fase grave, recebe atendimentos domiciliares regulares há mais de cinco anos e encontra-se acamado, com síndrome de fragilidade, osteoporose , doença do refluxo gastroesofágico e diabetes melito tipo 2. Faz uso de ácido acetilsalicílico 100 mg por dia, alendronato sódico 70 mg por semana, carbonato de cálcio 500 mg por dia, sinvastatina 10 mg por dia e aspartato de Larginina 250 mg/dia. Após episódios de tosse produtiva e febre, o médico é chamado à residência e confirma o diagnóstico clínico de pneumonia. Não há sinais de hipoxemia evidentes, além de ter sido submetido à vacina pneumocócica polivalente há dois anos. Com base no quadro clínico apresentado acima, a melhor conduta acerca dos cuidados paliativos para esse paciente é:
Idoso frágil, demência grave, pneumonia sem hipoxemia → tratamento domiciliar com ATB oral é conduta paliativa adequada.
Em pacientes idosos muito frágeis, com demência avançada e múltiplas comorbidades, o foco dos cuidados paliativos é o conforto e a qualidade de vida. Uma pneumonia sem sinais de gravidade (como hipoxemia) pode ser tratada em domicílio com antibióticos orais, evitando o estresse e os riscos de uma internação hospitalar desnecessária.
Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Em pacientes idosos, especialmente aqueles com demência avançada e múltiplas comorbidades, como o caso apresentado, a tomada de decisão clínica deve ser guiada por esses princípios, priorizando o conforto, a dignidade e a qualidade de vida sobre a prolongação da vida a qualquer custo. A pneumonia em pacientes idosos frágeis é uma causa comum de morbidade e mortalidade. No contexto de cuidados paliativos, a avaliação da gravidade da pneumonia é crucial. Se não houver sinais de hipoxemia grave, instabilidade hemodinâmica ou outras complicações que exijam intervenções hospitalares complexas, o tratamento pode ser realizado em domicílio. A administração de antibióticos por via oral é uma opção eficaz e menos invasiva, que evita o estresse e os riscos associados à internação hospitalar, como infecções nosocomiais e delirium. A internação em unidade de terapia intensiva (UTI) ou mesmo em enfermaria para um paciente com demência grave e síndrome de fragilidade avançada, sem sinais de hipoxemia, pode ser considerada uma intervenção fútil ou desproporcional. Tais ambientes podem aumentar o sofrimento do paciente, causar agitação e não oferecer benefícios significativos em termos de prognóstico ou qualidade de vida. A vacinação pneumocócica prévia, embora importante, não impede completamente a ocorrência da doença e uma nova dose não seria a conduta imediata para uma pneumonia aguda. O foco deve ser sempre na individualização do cuidado, respeitando os valores e objetivos do paciente e de sua família, com o objetivo primordial de aliviar o sofrimento.
O tratamento domiciliar é apropriado para idosos em cuidados paliativos com pneumonia quando não há sinais de hipoxemia grave, instabilidade hemodinâmica ou outras complicações que exijam suporte hospitalar, priorizando o conforto.
A internação em UTI para pacientes idosos com demência grave e múltiplas comorbidades geralmente não é a melhor conduta em cuidados paliativos, pois pode aumentar o sofrimento e não alterar o prognóstico, sendo preferível focar no conforto.
A demência avançada limita a capacidade do paciente de expressar suas preferências, tornando crucial que as decisões de tratamento, como em casos de pneumonia, sejam guiadas pelos princípios dos cuidados paliativos, focando na qualidade de vida e no alívio do sofrimento.
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