INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Uma mulher com 75 anos de idade, aposentada há 15 anos, reside em uma instituição de longa permanência de idosas conveniada à prefeitura local. Ela perdeu contato com sua família, apresenta demência grave, síndrome da imobilidade e cognitiva, vive restrita ao leito e com dependência completa de outra pessoa para realização de todas as atividades da vida diária na instituição. Tem histórico de três internações hospitalares prolongadas no último semestre devido a pneumonias por aspiração e está em uso regular de haloperidol 2 mg/dia para controle de episódios de agitação psicomotora frequentes. A referida instituição localiza-se na área de abran- gência de uma Unidade Básica de Saúde, cujo médico de família é chamado para discutir a conduta com o novo responsável pela instituição. Nessa situação, o médico de família deve:
Idoso com demência grave + complicações recorrentes + dependência total → Foco em Cuidados Paliativos.
Em pacientes com demência em estágio terminal e múltiplas internações por complicações da fragilidade, o plano de cuidados deve priorizar o conforto e a dignidade, evitando medidas fúteis.
A demência é uma doença incurável e progressiva, sendo considerada uma condição limitante da vida. Em estágios avançados, a ocorrência de pneumonias aspirativas recorrentes é um marcador de terminalidade, refletindo a falência dos mecanismos de deglutição e proteção de via aérea. O Plano Terapêutico Singular (PTS) em cuidados paliativos visa garantir que o paciente não seja submetido a intervenções invasivas que não alteram o desfecho final (obstinação terapêutica). A discussão com cuidadores e responsáveis é fundamental para alinhar expectativas e garantir que o foco seja a qualidade de vida residual e o alívio do sofrimento.
A indicação ocorre quando a demência atinge estágios avançados (como FAST 7), caracterizados por perda da fala, incapacidade de deambular, incontinência dupla e dependência total, especialmente se houver complicações recorrentes como pneumonias aspirativas ou úlceras por pressão.
O médico deve atuar como coordenador do cuidado, estabelecendo metas realistas com a equipe e cuidadores, focando no controle de sintomas (como agitação e dor) e evitando transferências hospitalares desnecessárias que geram sofrimento sem benefício curativo.
O manejo deve ser prioritariamente não farmacológico (ambiente calmo, rotina). Quando necessário, antipsicóticos em doses baixas (como o haloperidol citado) podem ser usados, mas sempre com revisão constante da necessidade e dos efeitos colaterais.
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