Cuidados Paliativos: Manejo de Sintomas e Abordagem Holística

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2023

Enunciado

Em relação a abordagem de pacientes em cuidados paliativos, marque a afirmativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Na abordagem paciente em cuidados paliativos é preciso focar em quatro domínios: 1) sintomas físicos, 2) sintomas psicológicos, 3) necessidades sociais, 4) Necessidades espirituais ou existenciais.
  2. B) A dor é uma experiencia subjetiva e dependendo das circunstâncias, perspectivas e estado fisiológico do paciente, o mesmo tipo de doença ou lesão produz níveis diferentes de dor relatada e necessidade de analgesia. Seu manejo farmacológico deve seguir a abordagem em três etapas da Organização Mundial de saúde envolvendo analgésicos não opioides, opioides fracos, opioides fortes, com ou sem adjuvantes.
  3. C) A dispneia tem uma frequência variável entre as causas de morte. Está entre os sintomas físicos mais aflitivos em paciente em cuidados paliativos de final de vida, sendo importante a mensuração da saturação com oxímetro de pulso e frequência respiratória para orientação de condutas e tratamento do sintoma de forma adequada.
  4. D) No tratamento da dor continua com opioides estes devem ser administrados de forma regular e ininterrupta. O paciente deve ter acesso a um medicamento de resgate para dor emergente, o uso da dose de resgate não altera a necessidade, horário ou posologia da próxima dose regular de analgésico programada.
  5. E) A constipação intestinal é frequente e está relacionada a imobilidade, baixa ingesta, alguns distúrbios eletrolíticos, mas principalmente ao uso de opioides e alguns adjuvantes com antidepressivos tricíclicos. Sendo indicada a instituição de um tratamento preventivo da constipação sempre que se prescreva estes medicamentos.

Pérola Clínica

Em dispneia paliativa, foco é alívio do sintoma, não otimização de saturação de O2.

Resumo-Chave

Em cuidados paliativos, o objetivo principal no manejo da dispneia é o alívio do desconforto do paciente, e não a normalização da saturação de oxigênio. A mensuração da saturação pode não ser o melhor guia para a conduta, que deve ser centrada na percepção do paciente e em medidas farmacológicas e não farmacológicas para conforto.

Contexto Educacional

Os cuidados paliativos representam uma abordagem essencial para pacientes e suas famílias que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, visando melhorar a qualidade de vida através da prevenção e alívio do sofrimento. A abordagem é holística, focando em quatro domínios cruciais: sintomas físicos (como dor e dispneia), sintomas psicológicos (ansiedade, depressão), necessidades sociais e necessidades espirituais ou existenciais, reconhecendo a pessoa em sua totalidade. O manejo da dor é um pilar fundamental nos cuidados paliativos, seguindo a escada analgésica da Organização Mundial da Saúde (OMS), que progressivamente utiliza analgésicos não opioides, opioides fracos e opioides fortes, sempre com a possibilidade de adjuvantes. A constipação intestinal é uma complicação frequente, especialmente com o uso de opioides, e deve ser prevenida proativamente. A dispneia é outro sintoma aflitivo, mas, diferentemente da medicina curativa, o foco em paliativos é o alívio do desconforto percebido pelo paciente, e não a otimização de parâmetros fisiológicos como a saturação de oxigênio. Para residentes, é vital compreender que os cuidados paliativos não são sinônimo de 'desistir' do paciente, mas sim de oferecer o melhor cuidado possível quando a cura não é mais o objetivo principal. Isso implica em uma comunicação clara, estabelecimento de metas de cuidado realistas, e um manejo sintomático agressivo para garantir conforto e dignidade. A avaliação contínua da percepção do paciente sobre seus sintomas é mais importante do que a adesão estrita a parâmetros objetivos em muitas situações de final de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro domínios da abordagem em cuidados paliativos?

A abordagem em cuidados paliativos foca em quatro domínios principais: sintomas físicos, sintomas psicológicos, necessidades sociais e necessidades espirituais ou existenciais, visando o cuidado integral do paciente.

Como é o manejo farmacológico da dor em cuidados paliativos segundo a OMS?

O manejo da dor segue a escada analgésica da OMS, que envolve três etapas: analgésicos não opioides, opioides fracos e, por fim, opioides fortes, sempre com a possibilidade de uso de adjuvantes em qualquer etapa.

Por que a mensuração da saturação de oxigênio não é o principal foco na dispneia em cuidados paliativos?

Em cuidados paliativos, o objetivo principal é o alívio do desconforto e sofrimento do paciente. A saturação de oxigênio pode não refletir a percepção subjetiva de dispneia, e o foco deve ser em medidas que melhorem a qualidade de vida, como opioides e oxigenoterapia se houver benefício sintomático.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo