UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020
Você é chamado, no meio da noite, para atender um paciente de 91 anos internado na enfermaria de clínica médica, para tratamento de pneumonia. A filha, acompanhante nessa internação, solicitou avaliação pois achou o pai mais cansado do que estava durante o dia. O paciente estava taquipneico (FR 31 irpm), com saturação de oxigênio de 85% em máscara de Venturi 50%. Ao checar o prontuário, você nota, na prescrição, além da antibioticotera- pia, somente dipirona em horários fixos. Na evolução do médico assistente, além do diagnóstico de Alzheimer avançado, Karnofsky 40% e pneumonia, você nota o registro isolado de Cuidados Paliativos. Em uma conversa com a filha, é informado sobre a decisão entre familiares e equipe médica de tratar a pneumonia como forma de otimizar o conforto. Sua proposta terapêutica, nesse momento, é
Em cuidados paliativos, dispneia refratária → iniciar opioide (morfina) em dose baixa para conforto, titulando conforme necessidade.
Em pacientes em cuidados paliativos, com foco no conforto, a dispneia é um sintoma comum e angustiante. Opioides, como a morfina, são a terapia de primeira linha para aliviar a sensação de falta de ar, mesmo na ausência de dor, pois atuam no centro respiratório e reduzem a ansiedade, otimizando o conforto do paciente.
Os cuidados paliativos visam proporcionar qualidade de vida a pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. A dispneia é um dos sintomas mais angustiantes e comuns em pacientes em fase final de vida, especialmente em idosos com comorbidades como pneumonia e Alzheimer avançado, impactando significativamente o conforto e a dignidade do paciente. O manejo adequado da dispneia é uma prioridade nesses cenários. Nesse contexto, a abordagem terapêutica deve ser guiada pelo objetivo de otimizar o conforto, e não pela cura da doença subjacente. Opioides, como a morfina, são a pedra angular no tratamento da dispneia em cuidados paliativos. Eles atuam modulando a percepção da dispneia no sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade e a sensação de falta de ar, mesmo em pacientes sem dor. A dose deve ser iniciada baixa e titulada cuidadosamente para o efeito desejado, minimizando efeitos adversos. Para residentes, é fundamental compreender que, em cuidados paliativos, a intubação orotraqueal e a internação em UTI são geralmente contraindicadas, pois são medidas invasivas que podem aumentar o sofrimento e não se alinham com os objetivos de conforto. A comunicação clara com a família sobre o processo natural da morte e as opções de manejo sintomático é igualmente importante, mas a intervenção farmacológica para o alívio imediato do sintoma é a prioridade inicial.
A primeira linha de tratamento para dispneia em pacientes em cuidados paliativos são os opioides, como a morfina. Eles atuam no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da falta de ar e a ansiedade associada, promovendo conforto ao paciente.
Em pacientes com doença avançada e em cuidados paliativos com foco em conforto, a intubação orotraqueal e a internação em UTI são consideradas medidas invasivas e desproporcionais, que podem prolongar o sofrimento sem melhorar a qualidade de vida. O objetivo é aliviar sintomas, não prolongar a vida a qualquer custo.
A sedação paliativa é considerada para sintomas refratários (incluindo dispneia) que não respondem a outras intervenções, após esgotar todas as opções terapêuticas. É uma medida de último recurso para aliviar o sofrimento insuportável, sempre com consentimento da família e equipe.
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