PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Uma mulher de 80 anos chega ao hospital com náuseas, vômitos, dor abdominal e distensão há dois dias. A dor piora rapidamente na hora seguinte e a paciente é levada ao centro cirúrgico com o diagnóstico de isquemia mesentérica. Na cirurgia, a paciente apresenta extensa necrose intestinal, desde o ligamento de Treitz até o cólon transverso. O abdome da paciente é fechado sem ressecção. Qual das seguintes opções está correta em relação aos cuidados paliativos?
Cuidados paliativos devem ser integrados precocemente; cirurgiões tendem a ser mais agressivos por falta de treinamento paliativo.
A abordagem paliativa não exclui tratamentos médicos, mas foca na qualidade de vida e no alívio do sofrimento, especialmente em casos de prognóstico cirúrgico infausto.
O caso da paciente de 80 anos com isquemia mesentérica total ilustra um dilema ético comum na cirurgia de emergência. Quando a viabilidade intestinal é inexistente, a cirurgia torna-se diagnóstica e o fechamento do abdome sem ressecção (laparotomia 'open and close') é a conduta técnica correta. A partir desse ponto, a medicina paliativa assume o protagonismo. A literatura médica destaca que a integração precoce de especialistas em cuidados paliativos melhora a satisfação da família e reduz intervenções invasivas desnecessárias, evidenciando a necessidade de maior foco educacional nessa área para especialidades cirúrgicas.
Estudos indicam que cirurgiões podem ser propensos a selecionar intervenções terapêuticas mais agressivas devido à escassez de treinamento formal e educação em cuidados paliativos durante a graduação e residência. A cultura cirúrgica muitas vezes prioriza a 'resolução do problema anatômico', o que pode levar à dificuldade em reconhecer o momento de transição para cuidados exclusivamente paliativos, resultando em procedimentos que não alteram o desfecho final, mas aumentam o sofrimento.
Sim. Diferente do que muitos pensam, os cuidados paliativos não excluem tratamentos que possam prolongar a vida, desde que esses tratamentos estejam alinhados com os objetivos de cuidado do paciente e proporcionem qualidade de vida. O foco é o alívio dos sintomas e o suporte multidimensional (físico, psíquico, social e espiritual), e não apenas a abreviação ou o prolongamento artificial do processo de morrer.
Em casos de isquemia mesentérica com necrose total do intestino delgado (do Treitz ao cólon), o prognóstico é virtualmente nulo para sobrevivência sem transplante intestinal (raramente disponível ou indicado). O papel da equipe é reconhecer a terminalidade, evitar ressecções fúteis que apenas prolongariam a agonia, e iniciar imediatamente o protocolo de cuidados paliativos para controle de dor, náuseas e suporte à família.
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