Cuidados Paliativos em DRCT: Foco no Conforto

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 68 anos, com diagnóstico de doença renal crônica terminal (DRCT) secundária a hipertensão arterial, em hemodiálise há 5 anos. Nos últimos meses, apresenta piora progressiva do estado geral, com fadiga intensa, inapetência, prurido generalizado e episódios frequentes de náuseas e vômitos. Relata também dor óssea difusa, especialmente em membros inferiores, que não melhora com analgésicos comuns. A família observa que o paciente está mais retraído, restrito ao leito, dependente de cuidados e com humor deprimido. Neste momento, qual é a abordagem mais adequada para o manejo deste paciente?

Alternativas

  1. A) Implementar cuidados paliativos integrados, focando no controle de sintomas como prurido, náuseas, vômitos e dor, além de suporte psicológico.
  2. B) Aumentar a frequência das sessões de hemodiálise para três vezes por semana, visando melhorar os sintomas urêmicos.
  3. C) Iniciar tratamento com antidepressivos tricíclicos para manejo da dor óssea e do humor deprimido.
  4. D) Prescrever antieméticos potentes e sedativos para controle de náuseas e vômitos, sem necessidade de outras intervenções.
  5. E) Encaminhar o paciente para avaliação psiquiátrica, considerando que os sintomas são predominantemente de origem psicossomática.

Pérola Clínica

DRCT avançada com múltiplos sintomas refratários e declínio funcional → indicação de cuidados paliativos integrados.

Resumo-Chave

Pacientes com doença renal crônica terminal em hemodiálise, apresentando piora progressiva do estado geral, múltiplos sintomas refratários e declínio funcional, têm indicação clara para cuidados paliativos integrados, visando controle de sintomas e melhora da qualidade de vida.

Contexto Educacional

Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida. Na doença renal crônica terminal (DRCT), a implementação de cuidados paliativos é fundamental, pois esses pacientes frequentemente sofrem de uma alta carga de sintomas físicos e psicossociais, mesmo em diálise. A abordagem deve ser integrada e multidisciplinar, focando no alívio do sofrimento e no suporte integral. A fisiopatologia dos sintomas em DRCT é multifatorial, incluindo acúmulo de toxinas urêmicas, distúrbios eletrolíticos, anemia, hiperparatireoidismo secundário e inflamação crônica. Sintomas como prurido, náuseas, vômitos, dor óssea e fadiga são comuns e podem ser refratários aos tratamentos convencionais. Além disso, a doença crônica e a dependência de tratamentos como a hemodiálise impactam significativamente a saúde mental, levando a depressão e ansiedade. O manejo adequado envolve uma avaliação abrangente dos sintomas e a implementação de estratégias farmacológicas e não farmacológicas para aliviá-los. Isso inclui otimização da diálise (se aplicável), uso de medicamentos específicos para prurido (ex: gabapentina), antieméticos, analgésicos para dor óssea (com cautela na disfunção renal) e suporte psicológico/psiquiátrico. A comunicação aberta sobre prognóstico e metas de cuidado é essencial para alinhar as expectativas do paciente e da família.

Perguntas Frequentes

Quando os cuidados paliativos devem ser considerados em pacientes com doença renal crônica?

Os cuidados paliativos devem ser considerados precocemente em pacientes com doença renal crônica progressiva, especialmente na fase terminal, quando há alta carga de sintomas, declínio funcional e múltiplas comorbidades, independentemente da decisão sobre diálise.

Quais sintomas são frequentemente abordados nos cuidados paliativos em DRCT?

Os sintomas mais comuns incluem fadiga, dor (óssea, neuropática), prurido urêmico, náuseas, vômitos, dispneia, insônia, depressão e ansiedade. O manejo é individualizado e multidisciplinar.

Qual o papel da família nos cuidados paliativos de pacientes com DRCT?

A família desempenha um papel crucial, sendo parte integrante da equipe de cuidados. É fundamental oferecer suporte psicossocial, educação sobre a doença e o prognóstico, e auxiliar nas tomadas de decisão, respeitando os valores e desejos do paciente.

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