MedEvo Simulado — Prova 2026
Dona Zulmira, 89 anos, apresenta diagnóstico de Doença de Alzheimer em estágio avançado, classificada como FAST 7c (perda da capacidade de deambular e falar mais do que poucas palavras inteligíveis). Nos últimos seis meses, foi hospitalizada três vezes por quadros de pneumonia aspirativa, evoluindo com disfagia grave e perda ponderal de 15% do peso corporal no período. Atualmente, encontra-se novamente no pronto-socorro com taquipneia (32 irpm), saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente, uso de musculatura acessória e estertores crepitantes em base direita. A filha relata que, há anos, a paciente manifestou o desejo de 'não ser mantida por aparelhos' caso perdesse a consciência, mas o filho, que mora em outra cidade, exige 'esforço total', incluindo intubação orotraqueal e transferência para UTI. Diante do quadro clínico e dos princípios de Cuidados Paliativos e Fim de Vida, assinale a alternativa correta:
Alzheimer Avançado + Pneumonias de Repetição → Foco em Conforto e Ortotanásia.
Em pacientes com demência terminal (FAST 7), medidas invasivas como IOT ou gastrostomia frequentemente configuram distanásia, não prolongando a vida com qualidade e desrespeitando a biografia do paciente.
A abordagem de pacientes em fase final de vida exige uma compreensão profunda dos princípios bioéticos: autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça. Na Doença de Alzheimer avançada, as complicações como pneumonias aspirativas são eventos terminais esperados. A insistência em tratamentos agressivos (como ventilação mecânica e UTI) em um cenário de prognóstico reservado e irreversibilidade funcional é classificada como distanásia (prolongamento doloroso do processo de morrer). A ortotanásia, por outro lado, busca a morte natural com dignidade, focando no alívio do sofrimento. O uso de opioides (como a morfina) é o padrão-ouro para o controle da dispneia em pacientes paliativos, agindo no centro respiratório para reduzir a sensação de 'fome de ar' sem necessariamente apressar o óbito. O respeito às vontades previamente manifestadas pela paciente fortalece a decisão ética de priorizar o conforto.
O estágio FAST (Functional Assessment Staging) 7c caracteriza a fase terminal da demência, onde o paciente perde a capacidade de deambular de forma independente, além de apresentar linguagem limitada a poucas palavras inteligíveis, perda de controle esfincteriano e necessidade de auxílio total para atividades básicas. É um marco clínico para a transição definitiva para cuidados predominantemente paliativos.
Não. Diversas diretrizes de geriatria e cuidados paliativos contraindicam a gastrostomia (GTT) em pacientes com demência avançada. Estudos demonstram que a GTT não previne pneumonias aspirativas, não melhora o estado nutricional de forma significativa, não aumenta a sobrevida e pode aumentar o desconforto e a necessidade de contenções físicas.
O médico deve atuar como mediador, focando no melhor interesse do paciente e em suas vontades previamente expressas (Diretivas Antecipadas). A autonomia do paciente, mesmo que delegada, deve respeitar a dignidade e evitar a futilidade terapêutica. Reuniões familiares para alinhar o prognóstico real e os objetivos do cuidado são fundamentais para evitar a distanásia.
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